“É impossível acabar com o Aedes aegypti”, diz criadora de mosquito transgênico

A pesquisadora Margareth Capurro, da USP, alerta: contra o Aedes, transmissor do zika e da dengue, é preciso usar várias armas de uma vez.

A bióloga Margareth Capurro, professora do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (USP), afirma que o Brasil precisa agir em várias frentes ao mesmo tempo para conter o mosquito Aedes aegypti – com a ajuda da população dentro das residências, com armadilhas artesanais feitas de garrafas plásticas, com bombardeios de inseticida e engenharia genética. “Devem-se usar todas as armas imagináveis”, diz a cientista. O mosquito transmissor da dengue e da febre chikungunya agora carrega o germe de problemas mais graves, o vírus zika (que pode desencadear a síndrome de Guillain-Barré). Margareth foi indicada pelo governo brasileiro para participar de um projeto internacional sobre o mosquito e estuda há 18 anos formas de alterá-lo geneticamente. Essa estratégia segue um roteiro inusitado, que inclui liberar ainda mais insetos no ambiente. Se der certo, os exemplares modificados em laboratório, todos machos, competirão com os mosquitos selvagens para copular com as fêmeas, mas o cruzamento não resultará em larvas. Exterminar o Aedes aegypti, diz Margareth, é impossível. Ela ressalta que uma política mais agressiva para combatê-lo já deveria estar em prática, mas que o enfrentamento da dengue nunca esteve no topo das prioridades, na disputa pelo orçamento da Saúde. Agora, a epidemia de vírus zika pode impulsionar a adoção de medidas mais eficazes. “O zika assustou. É uma doença mais grave”, afirma Margareth.

A bióloga Margareth Capurro, em seu laboratório na Universidade de São Paulo. “O mosquito viaja até de carro” (Foto: Letícia Moreira/ÉPOCA)

A bióloga Margareth Capurro, em seu laboratório na Universidade de São Paulo. “O mosquito viaja até de carro” (Foto: Letícia Moreira/ÉPOCA)

ÉPOCA – O Brasil já conseguiu erradicar o Aedes aegypti. Por que não é possível conseguir esse feito novamente?

Margareth Capurro – É impossível. Quando isso aconteceu, nos anos 1950, o cenário era completamente diferente. Houve uma campanha muito forte para combater a febre amarela. Tínhamos um inseticida poderoso, o DDT, mas que causou desequilíbrio ecológico. Ele matou populações de outros insetos, pássaros, ratos e provocou intoxicação até em humanos. Hoje, é proibido no mundo todo, inclusive no Brasil. Nos anos 1950, além de ter o DDT, havia menos deslocamento humano. Por isso, a erradicação foi possível. As pessoas viajavam menos, o trânsito internacional era menos intenso. Hoje, a principal entrada do mosquito no Brasil é pelos portos. Ovos vêm nos contêineres, nos navios. Quando tentamos mapear de onde vem a população de Aedes aegypti em Santos, por exemplo, é uma confusão. Todo dia entra mosquito novo. Há também um transporte pequeno de avião e entrada via terrestre. O mosquito viaja até no carro.

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ÉPOCA – Diante da gravidade da infecção pelo vírus zika, principalmente em grávidas, como controlar a população de mosquitos para reduzir a transmissão?

Margareth – O governo está consultando cientistas para ouvir sugestões. Devem-se usar todas as armas imagináveis. É preciso conscientizar a população e, ao mesmo tempo, eliminar os criadouros. Em lugares onde há epidemia, pode ser usado o fumacê, inseticida que elimina o inseto adulto. O grande problema é que conseguimos eliminar apenas os criadouros que vemos. Há muitos que não ficam à vista. Depois de uma chuva, o Aedes se desenvolve em qualquer lugar. Já peguei larva em papel de bala e levei para o laboratório. Ela se desenvolveu e virou uma fêmea de Aedes. Existem outras possibilidades, como liberar mosquitos modificados.

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ÉPOCA – Como funciona essa estratégia?

Margareth – São machos modificados que copulam com a fêmea, mas não são capazes de gerar descendentes. Há o macho estéril por irradiação de raios X ou raios gama. Na USP, estamos desenvolvendo outro tipo de macho estéril. Ele tem um gene que faz com que não tenha espermatozoides. Nesses dois casos, a larva nem nasce. Há ainda um tipo que tem uma bactéria que torna a transmissão do vírus impossível. Essa é a estratégia que está sendo desenvolvida pela Fundação Oswaldo Cruz, no Rio de Janeiro. Há ainda outro mosquito transgênico, que tem um gene letal que faz com que a larva morra. A ideia é liberar um número muito grande de machos modificados para que as fêmeas selvagens copulem com eles, não com os machos selvagens, e não gerem novos mosquitos. Os machos não picam, não transmitem a doença.

ÉPOCA – Os mosquitos modificados já podem ser usados?

Margareth – O mosquito que tem o gene letal já está pronto. Foi desenvolvido por uma empresa que cobrará royalties sobre o uso da tecnologia, claro. Participei do teste para verificar a eficácia em campo. O piloto foi nas cidades de Juazeiro e Jacobina, na Bahia. Em um dos bairros, houve redução de 80% na população de mosquitos. Em outro, de 100%. Isso significa que 100% das larvas que recolhíamos tinham o gene letal e, consequentemente, não sobreviveriam. É preciso liberar os mosquitos modificados continuamente para criar uma barreira que impeça que o Aedes selvagem volte a se reproduzir. Ainda falta a aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária para que esse mosquito possa ser usado. Também é necessário construir biofábricas que deem conta de produzir esses mosquitos na escala necessária. A linhagem que estamos desenvolvendo na USP pode estar pronta para testes no próximo ano.  Também há linhagens prontas desenvolvidas pela Agência Internacional de Energia Atômica. Dependendo do investimento, poderíamos ter um grande projeto, em uma cidade de grande porte, em um ano e meio. Podemos fazer algo para 2017.

ÉPOCA – Isso significa que, para este verão, não há nenhuma medida de alta eficácia para ser adotada?

Margareth – Não se combate o mosquito no verão, mas no inverno. É quando ele está em menor quantidade. Há algumas estratégias de curto prazo, que poderiam ser implementadas rapidamente. Tem um projeto de captura de mosquito com armadilha que a própria comunidade pode fazer, com ajuda de agentes de saúde. A armadilha é feita com uma garrafa de plástico e larvicida. O mosquito coloca os ovos lá e eles morrem. Precisa de um investimento menor e dá para atingir um grande número de cidades ao mesmo tempo. Outra estratégia é fazer a dispersão de larvicida biológico, como o BTI, usando helicópteros. O BTI é uma bactéria que produz proteínas que atacam o trato digestivo do mosquito e o matam. O Estado da Flórida, nos Estados Unidos, faz isso para combater o Aedes. Desse jeito, atinge-se tanto o criadouro que dá para ver quanto o que não dá. O Exército poderia ajudar nessa estratégia. Provavelmente, custa muito caro, mas é uma técnica que sabemos que é segura para os humanos e eficiente para reduzir a população de mosquito.

ÉPOCA – Agora temos medo do zika e da síndrome de Guillain-Barré, mas o Aedes aegypti é um problema há décadas, por causa da dengue. Por que o governo é tão lento em criar ações mais eficazes de combate ao mosquito?

Margareth – O Brasil passa por uma crise (de falta de verba) muito complicada. A dengue é um problema? É, mas não é uma doença que causa alta mortalidade. Ela tem um custo altíssimo, porque tira o trabalhador da empresa por 20 dias, mas a mortalidade não é alta. No projeto de Jacobina, para testar os mosquitos transgênicos, tivemos problemas no repasse de dinheiro pela Secretaria de Estado da Saúde. Mas entendo a posição da Secretaria. Se ela tem menos dinheiro, por que daria para um projeto-piloto e não para um hospital? É como se tivéssemos de ir ao supermercado comprar comida para o mês inteiro com R$ 100. Você compra arroz e feijão. Parte de todo o dinheiro que foi roubado nesses escândalos de corrupção poderia ir para a dengue. A gente fala de um projeto de R$ 1 milhão para combater a doença, mas roubaram não sei quantos bilhões. Não podemos dizer que o Brasil é pobre. Os recursos é que são muito mal usados. E muito roubados.

ÉPOCA – Quanto a população pode ajudar no combate aos criadouros?

Margareth – No Brasil, temos outro problema: a cultura de que é o governo que tem de cuidar de tudo. Muita gente acha que não precisa cuidar do próprio quintal porque o vizinho não cuida do dele. É um problema cultural. Mas também falta infraestrutura. Nas casas que visito na Bahia, as crianças me mostram onde estão as larvas. Eles têm a informação, sabem que a larva não pode estar lá, mas não têm o que fazer. É um reservatório de cimento, no fundo do quintal. Eles não podem esvaziar o reservatório todo dia porque só recebem água a cada 48 horas. Eles não têm condições financeiras de comprar cloro para jogar na água. O combate ao mosquito não é só questão de virar vasinho. É um problema social: falta saneamento básico.

ÉPOCA – O que podemos esperar para este verão?

Margareth – Os casos de vírus zika aumentarão, principalmente agora que estamos entrando no período chuvoso, porque os criadouros do mosquito aumentam. Como a epidemia de dengue é recorrente há anos, muita gente não pega, porque está protegido pelo menos contra algum sorotipo. Com o zika, não. São 200 milhões de pessoas que nunca viram esse vírus. É uma epidemia nova. O vírus zika está com tudo.

FONTE: Época

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