Há um Só Deus?

Há um só Deus,

O Pai 

I Coríntios 8:6

Deus nos aconselha: “Olhai tudo, retende o que é bom”. Você pode pensar que já conhece toda a verdade a respeito do tema. Entretanto, a palavra de Deus diz: “enganoso é o coração do homem; quem o conhecerá”? Mesmo pensando que já sabemos tudo sobre um tema, ou que tenhamos a verdade sobre ele, Deus nos convida a rever nossos conceitos, pois sabe que podemos estar enganados sem o saber. Falando aos de Sua igreja nos últimos dias, Jesus explica: “pois dizes: Estou rico e abastado e não preciso de coisa alguma, e nem sabes que tu és infeliz, sim, miserável, pobre, cego e nu” Apoc. 3:17. Jesus sabe que a igreja dos últimos dias seria composta por pessoas que, embora pensassem ter a verdade, não a teriam. Estavam enganadas e não sabiam. Por isso diz aos seus membros: “nem sabes”. Cremos nós que fazemos parte da igreja de Deus nestes últimos dias? Você o crê? Então, podemos fazer parte daqueles descritos por Jesus – enganados e “nem sabem”. Temos, portanto, uma boa razão, e verificar se nossa crença subsiste à prova bíblica. Atendamos o conselho divino: “olhai tudo, retende o que é bom” I Tes. 5:21.

 

Introdução

Devemos ter medo de estudar sobre a Divindade? 

Quem já lê a palavra de Deus a algum tempo ou freqüenta os cultos de alguma igreja, é  bem provável que possua um conceito pessoal de quem seja Deus, ou de quantas pessoas formam a Divindade. É também possível que, devido às suas convicções, possuam um certo receio, e por que não dizer medo, de estudar este tema, temendo pecar contra Deus. Este medo pode ser originado por diversas razões. Não pretendemos abordar todas nesta seção, mas gostaríamos de tratar de algumas objeções mais comuns ao estudo deste tema.

 

O pecado contra o Espírito Santo 

Muitos, possivelmente a grande maioria dos cristãos, creem que o Espírito Santo é um Deus, integrante da “Santíssima Trindade Divina”. Assim, temem estudar qualquer material que trate de sua “pessoa” e obra, com medo de cometer o pecado contra o Espírito Santo. Tomam como base para tal atitude o texto abaixo: 

Em verdade vos digo que tudo será perdoado aos filhos dos homens: os pecados e as blasfêmias que proferirem. Mas aquele que blasfemar contra o Espírito Santo não tem perdão para sempre, visto que é réu de pecado eterno.” Marcos 3:28, 29. 

Todavia, ao entender qual é o pecado contra o Espírito Santo este medo desaparece. Porque Jesus disse que aquele que blasfemar contra o Espírito Santo não tem perdão? O verso seguinte ao que apresentamos acima esclarece: 

“Isto, porque diziam: Está possesso de um espírito imundo.” Marcos 3:30. 

Os fariseus disseram que Jesus estava possuído de um espírito imundo (demônio) ao fazer seus milagres. Sabemos que Jesus fazia os milagres pelo poder de Deus (Atos 2:22). Ao dizer que Jesus os fazia pelo poder de Satanás, os fariseus estavam atribuindo a obra do Espírito de Deus a Satanás. Mas não o faziam na ignorância, pois tinham provas convincentes de que as obras de Jesus estavam em harmonia com as Escrituras. O fariseu Nicodemos o havia confessado: 

Rabi, sabemos que és Mestre vindo da parte de Deus; porque ninguém pode fazer estes sinais que tu fazes, se Deus não estiver com ele.” João 3:2. 

É através do Espírito Santo que Deus convence do “pecado” (João 16:8). Ao atribuírem a operação do Espírito de Deus a Satanás, os fariseus estavam voluntariamente rejeitando o meio pelo qual Deus poderia convence-los de pecado. Não havia outro meio, além do Espírito, pelo qual Deus pudesse leva-los a se arrependerem. Rejeitando o meio provido por Deus, os fariseus não se arrependeriam de seus pecados, não podendo, portanto, serem perdoados. É por esta razão que seu pecado não tinha perdão. O pecado dos fariseus foi o de voluntariamente atribuir a Satanás a obra do Espírito Santo. Jesus disse que eles estavam pecando contra o Espírito Santo quando faziam isso. Muitos entendem que pecar contra o Espírito Santo seria o negar sua “pessoa” ou sua “divindade”. Todavia, vimos aqui que, de acordo com a Palavra de Deus, não é este o caso.

 

Negar a Deus – Atos 5:3, 4 

Outro medo que muitos têm é o de negar a Deus ao questionarem a “Deidade” do Espírito Santo. O principal texto que os leva a pensar assim encontra-se em Atos 5:3, 4: 

Então, disse Pedro: Ananias, por que encheu Satanás teu coração, para que mentisses ao Espírito Santo, reservando parte do valor do campo? … Não mentiste aos homens, mas a Deus.” Atos 5:3, 4.

Muitos fazem a seguinte dedução, com base no texto acima: Ananias, quando mentiu ao Espírito Santo, mentiu a Deus. Logo, o Espírito Santo é Deus. Todavia, um comparativo do texto acima com o todo do livro de Atos mostra que ele está longe de nos levar a tal conclusão. Veja o que o autor de Atos escreveu sobre o Espírito Santo, no capítulo 20: 

“Atendei por vós e por todo o rebanho sobre o qual o Espírito Santo vos constituiu bispos, para pastoreardes a igreja de Deus, a qual Ele comprou com o Seu próprio sangue.” Atos 20:28. 

Segundo lemos acima, o Espírito Santo é Aquele que comprou a igreja com Seu próprio sangue. Quem é esta pessoa que derramou Seu sangue por nós? Sabemos ser Jesus. O autor do livro de Atos se referia a Jesus quando dizia “Espírito Santo” nesta passagem. Ora, se o autor do livro de Atos desejasse ensinar no capítulo 5 que o Espírito Santo é uma pessoa divina, um “Deus”, não usaria o termo “Espírito Santo” para se referir a Jesus, que comprou a igreja com Seu sangue, em Atos 20:28. Assim, concluir que o ensino de Atos 5 é o de que o “Espírito Santo” é uma pessoa divina, um “Deus”, é, no mínimo, algo precipitado. É uma conclusão precipitada que não leva em conta o todo da revelação do livro de Atos.

 

– O Espírito Santo 

O Espírito Santo Consolador 

Jesus, quando ainda estava na terra, falou sobre a obra do Espírito Santo, chamando-o de “Consolador”: 

E eu rogarei ao Pai, e Ele vos dará outro Consolador, a fim de que esteja para sempre convosco, o Espírito da verdade, que o mundo não pode receber, porque não no vê, nem o conhece; vós o conheceis, porque ele habita convosco e estará em vós.” João 14:16, 17. 

Note que no texto acima, Jesus disse para os discípulos que eles já conheciam o Consolador, o Espírito da verdade, e dá a razão: 

vós o conheceis, porque ele habita convosco e estará em vós.” João 14: 17. 

Quem é que já habitava com os discípulos durante três anos e meio? Jesus era o que habitava com eles. Jesus deu a entender aos discípulos que, ao falar do Consolador, estava falando dEle mesmo. As palavras que ele disse em seguida reforçam esta idéia: 

Não vos deixarei órfãos, voltarei para vós outros.” João 14:18. 

Na frase acima, Jesus mostrou para os discípulos que Ele era o que voltaria como o Consolador. Mas alguém poderia ainda pensar que Jesus estava se referindo, não à Sua vinda como Consolador, mas sim à Sua segunda vinda à terra. Para evitar que os discípulos chegassem a tal conclusão, Jesus continua: 

Ainda por um pouco, e o mundo não Me verá mais; vós, porém, Me vereis; porque Eu vivo, vós também vivereis.” João 14:19. 

A Bíblia declara que, quando Jesus vier pela segunda vez à terra, “todo o olho O verá” (Apoc 1:7); isto inclui todos os que estão no mundo. Mas ao falar da vinda do Consolador, Jesus disse que “o mundo não me verá mais; vós, porém, Me vereis”. Vemos que Jesus não se referia à Sua segunda vinda à terra, mas sim à Sua vinda como Consolador, quando somente os crentes O receberiam. Alguns creem que, por Jesus ter dito que enviaria “outro” Consolador, Ele se referia a outra pessoa, não a Ele mesmo. Todavia, como vimos, Jesus explicou que não era isso o que Ele desejava ensinar. Ao falar “outro”, referia-se a Ele. Jesus se referia muitas vezes a Si mesmo na terceira pessoa do singular, ou seja, em lugar de dizer “Eu”, falava de Si mesmo como de outra pessoa. Veja alguns exemplos: 

E, descendo eles do monte, ordenou-lhes Jesus: A ninguém conteis a visão, até que o Filho do Homem ressuscite dentre os mortos.” Mateus 17:9. 

Porque assim como esteve Jonas três dias e três noites no ventre do grande peixe, assim o Filho do Homem estará três dias e três noites no coração da terra.” Mateus 12:40. 

Aconteceu que, enquanto conversavam e discutiam, o próprio Jesus se aproximou e ia com eles. Os seus olhos, porém, estavam como que impedidos de O reconhecer…. Então, lhes disse Jesus: Ó néscios e tardos de coração para crer tudo o que os profetas disseram! Porventura, não convinha que o Cristo padecesse e entrasse na Sua glória? E, começando por Moisés, discorrendo por todos os Profetas, expunha-lhes o que a seu respeito constava em todas as Escrituras.” Lucas 24:15, 16, 26, 27. 

Quem eram “o Filho do Homem” e o “Cristo”, mencionados por Jesus nos textos acima? Ele mesmo; mas Ele falava como se fosse outra pessoa. Esta era uma forma de falar de Jesus, a fim de não atrair a glória para Si. É digna de nossa imitação. O mesmo se dá no caso de João 14:16, quanto ao Consolador. Cristo fala de Si mesmo como se fosse de outra pessoa (daí a razão de usar a palavra “outro”). Quem conhece a Cristo e está familiarizado com a forma de Ele falar, sabe que Ele estava falando de Si mesmo. 

E o próprio apóstolo João, o discípulo amado, aprendeu de Jesus, e também referiu-se a si mesmo pela palavra “outro”: 

Então, correu e foi ter com Simão Pedro e com o outro discípulo, a quem Jesus amava, e disse-lhes: Tiraram do sepulcro o Senhor, e não sabemos onde o puseram. Saiu, pois, Pedro e o outro discípulo e foram ao sepulcro. Ambos corriam juntos, mas o outro discípulo correu mais depressa do que Pedro e chegou primeiro ao sepulcro.” João 20:2-4. 

João é o autor do evangelho que leva seu nome. Ele escreveu o texto acima. Ao referir-se a si mesmo, não disse “eu”, mas sim “o outro”. Esta é uma forma humilde de referir-se a si mesmo. Ele somente poderia ter aprendido isso de Jesus, o “manso e humilde”, a quem amava. Aprendeu a referir-se a si mesmo como “o outro”, do próprio Jesus. Assim, não é conferida glória por ele à sua própria pessoa.

É conveniente que saibamos ainda algo mais sobre o Consolador. Sabemos que ele é Jesus, mas seria Ele Jesus em pessoa, ou não? Leiamos com atenção as palavras de Jesus dirigidas aos discípulos: 

“Consolador…vós o conheceis, porque Ele habita convosco e estará em vós.” João 14: 16, 17. 

Onde o Consolador estaria? Dentro dos discípulos. Após voltar para o céu, Cristo, em pessoa, estaria no céu, atuando como Sacerdote e Mediador entre Deus e os homens. Isto os apóstolos sabiam, tanto que Paulo, falando dEle, escreveu: 

Ora, o essencial das coisas que temos dito é que possuímos tal sumo sacerdote, que se assentou à destra do trono da Majestade nos céus, como ministro do santuário e do verdadeiro tabernáculo que o Senhor erigiu, não o homem…. Porque Cristo não entrou em santuário feito por mãos, figura do verdadeiro, porém no mesmo céu, para comparecer, agora, por nós, diante de Deus” Hebreus 8:1,2; 9:24. 

Enquanto estaria em pessoa no céu para interceder pelos homens, Cristo habitaria no coração dos crentes pelo seu Espírito, como Consolador. Ele ensinou em João 14 que o Consolador é Ele, não em pessoa, mas sim em Espírito. O Consolador é o próprio Cristo, despojado da personalidade da humanidade. Isso era exatamente o que Paulo entendia: 

E, porque vós sois filhos, enviou Deus ao nosso coração o Espírito de Seu FilhoGálatas 4:6. 

E, se alguém não tem o Espírito de Cristo, esse tal não é dEle.” Romanos 8:9. 

Por meio de Seu Espírito, Cristo habitaria no coração dos crentes. O Espírito subjuga as vontades egoístas, e leva todos os pensamentos em submissão a Cristo. Foi por receber o Espírito de Cristo, o Consolador, em Seu coração, que Paulo pode dizer: “já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim” (Gal. 2:20).

 

A palavra “Espírito” como o Consolador 

As religiões pagãs antigas e o espiritismo ensinam que o espírito é uma entidade independente do corpo da pessoa. Todavia, esta não é a definição bíblica para a palavra “espírito”. As palavras traduzidas dos originais como “espírito” são o hebreu “ruach” e o grego “pneuma”, e também significam “sopro”, “vento”. Em João 20, isso é ensinado de forma bem clara: 

Disse-lhes, pois, Jesus outra vez: Paz seja convosco! Assim como o Pai Me enviou, Eu também vos envio. E, havendo dito isto, soprou sobre eles e disse-lhes: Recebei o Espírito Santo.” João 20:21, 22.

Jesus soprou sobre os discípulos e disse: “recebei o Espírito Santo”. Para os discípulos, o Espírito Santo era como um “sopro” de Jesus, e não uma pessoa independente do corpo, como afirma o espiritismo. A Bíblia não nos dá uma definição precisa sobre a natureza deste sopro (do que ele é formado), mas nos aclara que ele convence os crentes do pecado, da justiça e do juízo (João 16:8), dirige e guia a vida dos crentes (Atos 16:7), capacita os homens a fazer a obra de Deus (I Cor. 7:7-10), subjuga os nossos maus desejos (Gál. 5:16), e transforma nossa vida (Gál. 5:22, 23). Em outras palavras, nos revela o que é necessário que saibamos sobre ele. Quanto à natureza do Espírito Santo, vale a regra bíblica: “As coisas encobertas pertencem ao Senhor, nosso Deus” Deuteronômio 29:29.

 

O Espírito de Deus e o Espírito de Cristo 

Já vimos que o Espírito de Cristo é o Espírito Consolador, que Ele soprou sobre os discípulos. Todavia, por vezes lemos na Bíblia o termo “Espírito de Deus”: 

Vós, porém, não estais na carne, mas no Espírito, se, de fato, o Espírito de Deus habita em vós. E, se alguém não tem o Espírito de Cristo, esse tal não é dele. … Se habita em vós o Espírito daquele que ressuscitou a Jesus dentre os mortos, esse mesmo que ressuscitou a Cristo Jesus dentre os mortos vivificará também o vosso corpo mortal, por meio do seu Espírito, que em vós habita.” Romanos 8: 9, 11. 

O texto acima menciona claramente um “Espírito” do Pai, que ressuscitou a Cristo dentre os mortos, e outro “Espírito” de Cristo. Seriam “Espíritos” diferentes, ou o texto refere-se ao mesmo Espírito, compartilhado por ambos? Jesus, em João 15:26 lança luz sobre o assunto: 

“Quando, porém, vier o Consolador, que Eu vos enviarei da parte do Pai, o Espírito da verdade, que dEle procede” João 15:26. 

Jesus disse que o Espírito Consolador, o Seu Espírito, que Ele enviaria, vinha da parte do Pai e procedia do Pai. Assim, o Espírito Consolador é também o Espírito de Deus. Como pôde Jesus enviar o Espírito do Pai a nós? Leiamos em Atos: 

A este Jesus Deus ressuscitou, do que todos nós somos testemunhas. Exaltado, pois, à destra de Deus, tendo recebido do Pai a promessa do Espírito Santo, derramou isto que vedes e ouvis.” Atos 2:32, 33. 

como Deus ungiu a Jesus de Nazaré com o Espírito Santo e com poder, o qual andou por toda parte, fazendo o bem e curando a todos os oprimidos do diabo, porque Deus era com Ele” Atos 10:38. 

A Bíblia declara que Jesus recebeu do Pai o Espírito Santo. Deus ungiu a Jesus com o Seu Espírito, e então Jesus pode sopra-lo e derrama-lo sobre os discípulos. Vemos que o Espírito de Deus e o de Cristo é o mesmo, pois o Espírito que Jesus enviou, Ele o recebeu de Deus. Jesus mesmo disse que as coisas dEle são do Pai também:

Tendo Jesus falado estas coisas, levantou os olhos ao céu e disse:… todas as Minhas coisas são TuasJoão 17:1, 10.

 

O Espírito Santo é uma pessoa? 

Os discípulos não entendiam que o Espírito Santo fosse uma pessoa. Devemos nós aceitar tal conceito? Vamos pesquisar a Palavra de Deus: 

A este Jesus Deus ressuscitou, do que todos nós somos testemunhas. Exaltado, pois, à destra de Deus, tendo recebido do Pai a promessa do Espírito Santo, derramou isto que vedes e ouvis.” Atos 2:32, 33. 

A passagem acima fala sobre o derramamento do Espírito Santo aos discípulos, no Pentecostes. Existem duas palavras chaves nela que nos ajudarão a identificar se o Espírito Santo é apresentado como uma pessoa ou não: São elas: “derramou” e “isto”. 

O texto afirma que Cristo “derramou” o Espírito Santo sobre os discípulos. Podemos derramar água, óleo, leite e outros sobre alguém. Mas podemos derramar uma pessoa? Não, impossível. Vê-se que o Espírito Santo que foi derramado não era uma pessoa. Nem mesmo o poderia ser, pois, como poderia ser uma pessoa “derramada” sobre 120 pessoas, como ocorreu no Pentecostes? A Bíblia sempre apresenta as pessoas sendo ungidas com óleo, simbolizando que receberam o Espírito Santo. Citamos um exemplo: 

Disse o SENHOR: Levanta-te e unge-o, pois este é ele. Tomou Samuel o chifre do azeite e o ungiu no meio de seus irmãos; e, daquele dia em diante, o Espírito do Senhor se apossou de Davi.” I Samuel 16:12, 13. 

Na passagem, o apóstolo também afirma, referindo-se ao Espírito Santo, que Jesus derramou “isto” que vedes. A palavra “isto” pode ser usada para referir-se a uma pessoa? Vejamos: você gostaria que alguém, ao referir-se a você dissesse: então, veio “isto” até nós? É possível que você até mesmo se sentisse ofendido, não é verdade? A palavra “isto” é usada para referir-se a objetos e coisas impessoais, mas nunca a uma pessoa. O uso, pelo apóstolo, da palavra “isto” para referir-se ao Espírito Santo, mostra que ele não é uma pessoa. Se ele fosse uma “pessoa” ou um “Deus”, o apóstolo não seria assim tão desrespeitoso para com ele. 

Adicionalmente, lembramos que os símbolos do Espírito Santo apresentados na Bíblia – água (João 7:37-39), óleo (Zac. 4:2-6) – sempre lembram algo sem forma; nunca lembram uma pessoa.

 

Atributos “pessoais” do Espírito Santo 

Em diferentes lugares na Bíblia, encontramos referência a ações pessoais atribuídas ao Espírito Santo. Encontramos passagens nas quais é dito que o Espírito geme, intercede, se entristece, fala, etc. O que elas significam? Não é difícil entender, após analisar algumas delas. A Bíblia apresenta um comparativo entre o espírito do homem e o Espírito de Deus que nos ajuda a entende-las. Vamos tratar de entender bem este comparativo, e também a maneira pela qual a Bíblia se refere ao espírito do homem. Então, ficará fácil entender as passagens que apresentam atributos pessoais associados ao Espírito Santo: 

Porque qual dos homens sabe as coisas do homem, senão o seu próprio espírito, que nele está? Assim, também as coisas de Deus, ninguém as conhece, senão o Espírito de Deus.” I Coríntios 2:11.

Já vimos que o espírito do homem não é uma entidade independente, um ser separado dele. Portanto, a palavra “espírito”, usada acima, não está se referindo a isso. Uma leitura mais detida nos mostra que a palavra “espírito” está sendo utilizada para se referir à mente do homem. Cinco versos à frente, Paulo, o escritor da carta aos Coríntios, confirma que era isto o que quis dizer, pois afirma: “Pois quem conheceu a mente do Senhor, que o possa instruir? Nós, porém, temos a mente de Cristo.” (I Cor. 2:16). 

De fato, fazendo a substituição da palavra “espírito” por “mente” no texto acima, vemos que o texto fica claro: 

Porque qual dos homens sabe as coisas do homem, senão o seu próprio espírito [a sua mente], que nele está? Assim, também as coisas de Deus, ninguém as conhece, senão o Espírito de Deus.” I Coríntios 2:11. 

Tendo entendido o significado da palavra “espírito” referida ao homem neste texto, fica fácil entendermos o sentido dela quando aplicada a Deus, no mesmo verso, pois o próprio texto explica: 

Porque qual dos homens sabe as coisas do homem, senão o seu próprio espírito, que nele está? Assim, também as coisas de Deus, ninguém as conhece, senão o Espírito de Deus.” I Coríntios 2:11. 

Como as coisas do homem ninguém conhece, senão sua mente, assim também as coisas de Deus, ninguém conhece senão o “espírito”, ou seja a mente de Deus. Cinco versos para frente, o Autor confirma que era isso mesmo que desejava que entendêssemos: 

Pois quem conheceu a mente do Senhor, que O possa instruir?” I Coríntios 2:16. 

Fica evidente que a palavra “espírito” foi usada em sentido figurado (neste caso representando a “mente”). Esta não é a única passagem na qual isto ocorre. Veja outros casos: 

“… Acabe veio desgostoso e indignado para sua casa … Porém, vindo Jezabel, sua mulher, ter com ele, lhe disse: Que é isso que tens assim desgostoso o teu espírito e não comes pão?” I Reis 21:4, 5. 

O rei Acabe estava sentindo-se desgostoso, com pensamentos de desgosto. A expressão “desgostoso o teu espírito” demonstra que ele estava desgostoso em sua mente. 

O profeta João, referindo-se ao fato de estar sua mente em visão, disse que estava em “espírito”: 

Achei-me em espírito, no dia do Senhor, e ouvi, por detrás de mim, grande voz, como de trombeta, dizendo: O que vês (na mente) escreve em livro” Apocalipse 1:10, 11. 

E Paulo escreveu aos crentes: 

A graça do Senhor Jesus Cristo seja com o vosso espírito [mente].” Filemon 1:25. 

Já vimos que a Bíblia por vezes usa a palavra “espírito” para referir-se à mente do homem. Todavia, encontramos diversas passagens que mencionam o “espírito” do homem, atribuindo a ele ações pessoais. Citamos um exemplo: 

“Porque, se eu orar em outra língua, o meu espírito ora de fato, mas a minha mente fica infrutífera.” I Coríntios 14:14. 

Paulo dizia que seu espírito orava, referindo-se ao fato de que ele orava na mente. Note que, embora a ação seja atribuída ao “espírito” de Paulo no verso, entende-se que a ação foi de fato do “possuidor” do espírito, nesse caso – Paulo. Vejamos ainda outro exemplo: 

Foi por isso que nos sentimos confortados. E, acima desta nossa consolação, muito mais nos alegramos pelo contentamento de Tito, cujo espírito foi recreado por todos vós.” II Coríntios 7:13. 

Embora seja dito que o “espírito” de Tito foi recreado, sabemos que o texto refere-se ao fato de que o próprio Tito foi recreado. Quando analisamos outros textos semelhantes a este na Escritura, podemos perceber que, como regra, quando a Bíblia apresenta a palavra “espírito” ligada a uma ação pessoal, ela sugere que a ação deva ser atribuída ao possuidor do espírito, e não ao “espírito”. Citamos ainda um último exemplo, para que fixemos este conceito: 

No segundo ano do reinado de Nabucodonosor, teve este um sonho; o seu espírito se perturbou, e passou-se-lhe o sono. …Disse-lhes o rei: Tive um sonho, e para sabê-lo está perturbado o meu espírito.” Daniel 2:1, 3. 

Note que, no texto acima, referindo-se ao fato de que Nabucodonosor estava perturbado em sua mente, está escrito que “seu espírito” estava perturbado. A ação atribuída ao “espírito” no texto deve ser entendida como sendo do possuidor do espírito. Ao pesquisarmos mais a fundo, verificamos que o mesmo se dá com as passagens que atribuem ações pessoais ao “espírito” de Deus. De mesma forma que a Bíblia apresenta ações pessoais atribuídas ao espírito do homem, referindo-se a ações do próprio homem, ela também apresenta ações pessoais atribuídas ora ao espírito de Deus, ora ao espírito de Jesus Cristo, referindo-se à ações executadas por Deus e Jesus. Analisemos alguns exemplos:

 

– Romanos 8:26 

Também o Espírito, semelhantemente, nos assiste em nossa fraqueza; porque não sabemos orar como convém, mas o mesmo Espírito intercede por nós sobremaneira, com gemidos inexprimíveis.” Romanos 8:26. 

No texto acima, Paulo afirma que o “espírito” intercede por nós. Segundo a regra bíblica, a ação deve ser entendida como sendo da pessoa possuidora do espírito. Neste caso, a pessoa é Cristo, posto que Ele é o único intercessor entre Deus e os homens. Vemos que a regra se comprova verdadeira, uma vez que o próprio Paulo esclarece no próprio contexto da passagem acima (7 versos para frente) que é Cristo quem intercede por nós: 

É Cristo Jesus quem morreu ou, antes, quem ressuscitou, o qual está à direita de Deus e também intercede por nós.” Romanos 8:34. 

Compare: “o mesmo Espírito intercede por nós” Rom. 8:26 = “É Cristo Jesus quem… intercede por nós” Romanos 8:34. 

Alguns poderiam justificar uma crença entre duas pessoas intercessoras, neste caso Jesus e uma pessoa chamada “Espírito”, alegando para isso o fato de Romanos 8:34 afirmar que Cristo Jesus “também” intercede por nós. Todavia, analisando o todo da Escritura, este argumento cai por terra, pois está escrito que há apenas Um que intercede por nós como Mediador entre Deus e os homens – Jesus Cristo: 

Porquanto há… um só Mediador entre Deus e os homens, Cristo Jesus, homemI Timóteo 2:5. 

Assim, o Espírito que intercede por nós, segundo Romanos 8:26 não pode ser outro que o próprio Cristo. Ele é o único intercessor – não há outro.

 

– I Ped. 1:2 

eleitos, segundo a presciência de Deus Pai, em santificação do espírito, para a obediência e a aspersão do sangue de Jesus Cristo, graça e paz vos sejam multiplicadas.” I Pedro 1:2. 

No texto acima, o “espírito” não é apresentado executando uma ação, mas sim sofrendo a ação. É passivo, e não ativo. O termo “santificação do espírito” sugere que o “espírito” é santificado. Sabemos que a Bíblia apresenta o homem como o ser que é santificado por meio de Cristo: 

“Jesus, por causa do sofrimento da morte, foi coroado de glória e de honra, para que, pela graça de Deus, provasse a morte por todo homem. … Pois… o que santifica… Ele não se envergonha de lhes chamar irmãos.” Hebreus 2:9, 11. 

O homem, que é santificado, é quem deve estar representado pela palavra “espírito” no texto de I Pedro 1:2 que estamos analisando. Esse texto ainda diz que a “santificação do espírito” é para “a obediência”. O homem só pode prestar obediência por meio da sua mente; é através dela que ele serve a Deus. Vemos, portanto, que o “espírito” que é santificado para obediência é a mente do homem. A palavra “espírito” refere-se, portanto, à mente do homem, que é santificada.

 

– Atos 2:4 

Todos ficaram cheios do Espírito Santo e passaram a falar em outras línguas, segundo o Espírito lhes concedia que falassem.” Atos 2:4. 

O texto acima relata que os discípulos de Cristo receberam o dom de línguas, “segundo o Espírito lhes concedia”. Aplicando a regra bíblica, verificamos que a ação de “conceder” o dom, atribuída ao Espírito no texto, é a ação realizada pelo possuidor do Espírito (neste caso é Cristo, que enviou o Espírito aos crentes no Pentecostes). Este entendimento está em harmonia com a revelação bíblica, pois a Palavra declara que é Cristo quem “concede” dons aos homens: 

“e a graça foi concedida a cada um de nós segundo a proporção do dom de Cristo. Por isso, diz: Quando Ele subiu às alturas, levou cativo o cativeiro e concedeu dons aos homens.” Efésios 4:7, 8. 

Note quem concedeu dons aos homens: “Cristo … concedeu dons aos homens” (Efe. 4:7, 8).

 

– Efésios 4:30 

E não entristeçais o Espírito de Deus, no qual fostes selados para o dia da redenção.” Efésios 4:30 

O texto acima relata que o “Espírito de Deus” se entristece, referindo-se ao fato de que o próprio Deus se entristece, exatamente como em Daniel capítulo 2 está escrito que o “espírito de Nabucodonosor” estava perturbado para dar a entender que ele estava perturbado. Pela regra bíblica, a ação de entristecer-se deve-ser atribuída ao possuidor do Espírito, neste caso Deus.

 

– Atos 5:3, 4 

Então, disse Pedro: Ananias, por que encheu Satanás teu coração, para que mentisses ao Espírito Santo, reservando parte do valor do campo? … Não mentiste aos homens, mas a Deus.” Atos 5:3, 4. 

Embora não atribua especificamente uma ação à palavra “Espírito”, este texto pode ser entendido de forma semelhante aos anteriores. É dito que Ananias mentiu para o Espírito Santo. Segundo a regra bíblica que vimos, entende-se que Ananias mentiu para o possuidor do Espírito, neste caso o próprio Deus, posto que é dito: “não mentistes aos homens, mas a Deus”. Isto está em harmonia com a revelação bíblica – leiamos: 

e que, nesta matéria, ninguém ofenda nem defraude a seu irmão; porque o Senhor, contra todas estas coisas, como antes vos avisamos e testificamos claramente, é o vingador, Dessarte, quem rejeita estas coisas não rejeita o homem, e sim a Deus, que também vos dá o Seu Espírito Santo.” I Tessalonicenses 4:6, 8. 

Ananias tentou defraudar seus irmãos na fé, retendo parte do valor do campo que tinha vendido. Rejeitou o conselho do Senhor para não defraudar seus irmãos. O texto acima diz que quem rejeita este conselho não rejeita a homens, mas sim a Deus. Pedro, em Atos 5, citou este ensino bíblico a Ananias – que ao tentar defraudar ele e os outros irmãos, retendo parte do valor da venda do campo, não estava mentindo a homens, mas sim a Deus. 

Entendemos que os exemplos acima são suficientes para comprovar a regra bíblica. Todos os demais textos que atribuam ações pessoais ao “Espírito” de Deus e de Cristo, como falar, se entristecer, etc., são facilmente explicados aplicando a regra bíblica que estudamos neste capítulo. As ações devem ser sempre atribuídas ao possuidor do Espírito – Deus ou Cristo.

 

O batismo em Mateus 28:19 

“Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo” Mateus 28:19. 

O texto acima é o que consta nas versões modernas da Bíblia que temos a disposição hoje. Todavia, esse texto não confere com o uso dos apóstolos, segundo os próprios tradutores da Bíblia de Jerusalém sugerem: 

“É possível que, em sua forma precisa, essa fórmula reflita influência do uso litúrgico posteriormente fixado na comunidade primitiva. Sabe-se que o livro de Atos fala em batizar no nome de Jesus’ (Atos 1:5, 2:38). Mais tarde deve ter-se estabelecido a associação do batizado às três pessoas da Trindade” (Fonte: Nota de Rodapé sobre Mateus 28:19, pág. 1758 – Bíblia de Jerusalém, Revista e Ampliada 3ª Impressão, 2004) 

E eles não são os únicos. Várias Enciclopédias de Religião concordam com os tradutores da Bíblia de Jerusalém: 

“A fórmula batismal foi mudada do nome de Jesus Cristo para as palavras Pai, Filho e Espírito Santo pela Igreja Católica no 2° Século.” (Fonte: Enciclopédia Britânica, 11ª Edição, Vol. 3 pág. 365, 366). “Sempre nas fontes antigas menciona que o batismo era em Nome de Jesus Cristo.” (Idem, Volume 3, pág. 82). 

“A religião primitiva sempre batizava em Nome do Senhor Jesus até o desenvolvimento da doutrina da trindade no 2° Século.” (Fonte: Enciclopédia da Religião – Canney, pág. 53). 

“O batismo cristão era administrado usando o nome de Jesus. O uso da fórmula trinitariana de nenhuma forma foi sugerida pela história da igreja primitiva; o batismo foi sempre em NOME do Senhor Jesus até o tempo do mártir Justino, quando a fórmula da trindade foi usada.” (Fonte: Enciclopédia da Religião – Hastings, Vol. 2 pág. 377, 378, 389). 

Torna-se, portanto, evidente que o batismo em nome de três pessoas apresentado no texto de Mateus 28:19 que temos nas Bíblias de hoje, quando comparado com o uso dos apóstolos relatado pela história da religião, é no mínimo altamente questionável. Nosso objetivo neste capítulo é apenas analisar a citação acima sob a ótica do que ela, na forma como aparece nas versões mais modernas da Bíblia, ensina com relação ao Espírito Santo. Não será tratada aqui sua autenticidade ou sua autoridade para determinar qual é a forma correta de batizar. Faremos isso à frente neste livro. Por agora, queremos analisar dois pontos com relação a esta citação: 

1- Mat. 28:19 prova que o Espírito Santo é uma pessoa? 

Lemos que o verso diz “batizando-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo”. Verificamos que ele não diz que o Espírito Santo é uma pessoa – em verdade nem existe a palavra “pessoa” no verso – ele só ordena batizar em nome do Espírito Santo. Poderíamos concluir que pelo fato de o verso dizer “batizando-os…em nome do Espírito Santo”, ele estaria dizendo que o Espírito Santo é uma pessoa? Sabemos que o realizar uma ação em nome de algo não prova que este seja uma pessoa. Citamos um exemplo: “você está preso em nome da lei”. A lei não é uma pessoa, mas pode-se executar uma ação “prender alguém” em nome dela. Assim como prender alguém em nome da lei não prova que a lei é uma pessoa, batizar alguém em nome do Espírito Santo não prova que este seja uma pessoa. Vemos então que Mat. 28:19, da forma como aparece escrito em nossas Bíblias, não prova que o Espírito Santo seja uma pessoa. 

2 – Mat. 28:19 prova que o Espírito Santo seja um Deus? 

O verso também não diz que o Espírito Santo seja um Deus. Em verdade, a palavra “Deus” nem aparece no verso. Assim, embora mencione “Pai, Filho e Espírito Santo”, ele não seria um verso claro nem mesmo para provar que o Pai é Deus, pois embora mencione o nome do Pai, não diz que ele é um Deus. Já vimos que o fato de o verso ordenar batizar também em nome do Espírito Santo nem mesmo prova que ele seja uma pessoa; que dirá então de provar que este seja um Deus. 

3 – O fato de o Espírito Santo ser mencionado com o Pai e o Filho neste verso, não nos dá um senso de igualdade entre os três? 

Ao analisarmos a Escritura, verificamos que o fato de os três nomes serem mencionados juntos nem mesmo dão ao Filho igualdade para com o Pai, pois Jesus mesmo disse: 

o Pai é maior do que Eu.” João 14:28. 

Jesus disse claramente que o Pai é maior que Ele. Vemos, portanto, que o fato de Ele ser mencionado juntamente com o Pai em Mat. 28:19 não O faz igual ao Pai. E quanto à menção do Espírito Santo neste verso? Se a mera menção junto ao Pai e ao Filho atribuísse a alguém o status de igualdade para com Eles, então, usando este critério, todos os anjos eleitos do céu teriam que, com justiça ser considerados iguais a Eles, pois são mencionados na Bíblia juntamente com ambos – veja: 

“Conjuro-te, perante Deus, e Cristo Jesus, e os anjos eleitos, que guardes estes conselhos, sem prevenção, nada fazendo com parcialidade.” I Timóteo 5:21. 

Sabemos que é absurdo entender que, pelo fato de os anjos serem aqui mencionados junto a Deus e Jesus, devessem ser considerados deuses ou pessoas iguais ao Pai e o Filho em autoridade. Usando o mesmo critério com o qual analisamos o verso acima para com o texto de Mat. 28:19, vemos que a menção do Espírito Santo junto com o Pai e o Filho não o faz igual a Eles, nem tampouco faz dele um “Deus”.

 

– II Cor. 13:14 (13) 

A graça do Senhor Jesus Cristo, e o amor de Deus, e a comunhão do Espírito Santo sejam com todos vós.” II Coríntios 13:14 (13 em algumas Bíblias). 

Ao analisarmos Mat. 28:19 na seção anterior, vimos que a menção dos nomes Pai, Filho e Espírito Santo no mesmo verso não prova ser o Espírito Santo uma pessoa igual ao Pai e o Filho, ou um Deus. Pela mesma razão, o fato de que os nomes Jesus, Deus e Espírito Santo serem mencionados no verso acima (I Cor. 13:13) não prova ser o Espírito Santo uma pessoa igual ao Pai e ao Filho, ou um Deus. E por este mesmo critério podem ser entendidos todos os outros versos da Bíblia onde aparecem os três nomes. Por isso, não iremos analisa-los todos neste livro. 

Existe um termo do verso acima que pode gerar um pouco de confusão. Este é:  “a comunhão do Espírito Santo”. A chave para entender este termo corretamente está em Lê-lo com atenção. Note que o texto diz: “comunhão do Espírito Santo”, e não “comunhão com o Espírito Santo”. Se dissesse comunhão “com” o Espírito Santo, este deveria ser entendido como uma pessoa aqui, pois só podemos ter comunhão “com” uma pessoa. Mas o texto diz comunhão “do” Espírito Santo. Este termo significa que todos receberam do mesmo Espírito, o que os leva a serem unidos e terem o mesmo parecer. Quando duas pessoas têm a mesma opinião, costumamos dizer que elas têm o mesmo Espírito, não é verdade? Este era o desejo de Paulo para os Coríntios quando lhes escreveu sobre a comunhão “do” Espírito Santo – que tivessem o mesmo Espírito, e por isso fossem unidos na mesma disposição e no mesmo parecer: 

Pois todos nós fomos batizados em um Espírito, formando um corpo, quer judeus, quer gregos, quer servos, quer livres, e todos temos bebido de um Espírito.” I Coríntios 12:14. 

Rogo-vos, irmãos, pelo nome de nosso Senhor Jesus Cristo, que faleis todos a mesma coisa e que não haja entre vós divisões; antes, sejais inteiramente unidos, na mesma disposição mental e no mesmo parecer.” I Coríntios 1:10.

 

– I João 5:7, 8 

Os próprios tradutores da Versão Almeida Revista e Atualizada, Edição 1999, confessam que o texto que aparece entre colchetes “[__]” dentro destes versos não pertence ao original: 

“Pois há três que dão testemunho [no céu: o Pai, a Palavra e o Espírito Santo, e estes três são um. E três são os que testificam na terra]: o Espírito, a água e o sangue, e os três são unânimes em um só propósito” 

O texto que está entre colchetes seria perfeito para provar a existência de uma trindade. Entretanto, no comentário desta versão (pág. 363 – Novo Testamento), lemos: 

“f 5.8 O texto entre colchetes não aparece em diversos manuscritos”

De fato, nenhum dos manuscritos antigos contém o texto que aparece acima entre colchetes. Portanto, não vamos despender tempo analisando um texto que não faz parte da Bíblia, e foi posteriormente acrescentado pelo homem. Basta, para efeito do estudo, vermos que os versos, sem o acréscimo do texto em colchetes, não provam nem a existência de uma trindade, nem que o Espírito Santo seja uma pessoa igual ao Pai e ao Filho: 

“Pois há três que dão testemunho: o Espírito, a água e o sangue, e os três são unânimes em um só propósito” I João 5:7, 8. 

O que o texto fala é que o Espírito que Jesus envia, a água e o sangue que saíram de Seu lado quando o soldado perfurou Seu peito na cruz, são unânimes em um só propósito: para que crêssemos em Jesus como o Filho de Deus.

 

– Echad, Elohym e os adjetivos tríplices  

As palavras hebraicas “Echad” e “Elohym” 

Muitos ouvem teólogos dizendo que as palavras hebraicas “echad” e “Elohym” provam que Deus é mais de uma pessoa, o que incluiria o Espírito Santo como sendo um “Deus”, também. Como a maioria das pessoas não conhece o idioma “Hebraico”, poucos contestam tais afirmações. Todavia, mesmo sem conhecer o hebraico, é fácil verificar que os judeus, que têm o hebraico como língua materna, crêem que Deus é uma pessoa só. Para confirmar, pergunte a um judeu ortodoxo sobre a religião de seus pais. Isto é uma evidência de que algo pode estar errado quanto a afirmação dos teólogos modernos sobre as palavras “echad” e “Elohym”. Nesta seção, vamos verificar como podemos entender o significado destas duas palavras à luz da Bíblia. 

Existem diferenças estruturais significativas entre os diversos idiomas. Assim, quando vamos analisar um texto escrito em outro idioma que não o português, devemos considerar que não poderemos simplesmente utilizar as regras gramaticais do português e aplicá-las. Todavia, há de se considerar também que, apesar de haverem diferenças entre os idiomas, existem também semelhanças estruturais entre eles. Portanto, existem casos nos quais a regra gramatical ou de interpretação utilizada do português é a mesma ao analisar determinadas palavras ou sentenças de outro idioma. Um destes casos ocorre com a palavra “um” em português, com sua correspondente tradução no idioma hebraico “echad”. O sentido e significado da palavra “um” em português é exatamente o mesmo do da palavra correpondente no hebraico, lida como “echad”. O único significado da palavra echad, apresentado no léxico (dicionário) Hebraico – português é “UM” (ver: http://www.blueletterbible.org/tmp_dir/words/2/1164725880-7020.html). 

Em português, a palavra “um” é utilizada sempre para se referir a algo único. Podemos dizer: UM carro, UM garçon, UM computador, UM frentista, UM amigo. Em todos estes casos, utilizamos a palavra UM para nos referirmos, ou a 1 objeto ou a 1 pessoa. Também podemos usar a palavra “um” relacionada a termos abstratos, como por exemplo UM propósito, UM favor, UM carinho, etc.; todavia, em todos estes casos, o significado da palavra “um”, em nosso idioma, é sempre “um Único”, no sentido de que não há outro. Se dizemos, por exemplo: “João tem um carro” ninguém pensará que ele tenha dois ou três carros. Todos entenderemos que João tem um carro só. O sentido da palavra “um” em português soa claro para nós. Assim, o texto bíblico de I Cor. 8:6, da forma como se apresenta em praticamente todas as Bíblias do idioma português, dá uma resposta clara no tocante a quantos deuses existem. Lê-se: “para nós há um só Deus, o Pai”. E entende-se da seguinte forma: para nós, (no caso Paulo, autor do texto, e os apóstolos que eram unânimes no entendimento com ele), há um só Deus (um único Deus, uma única unidade de pessoa que é Deus), o Pai (esta única pessoa que é Deus é o Pai). O texto é ao mesmo tempo conclusivo e exclusivo. Conclusivo porque expressa de forma conclusiva quantas pessoas são “Deus”; e exclusivo porque exclui qualquer outra pessoa de ser “Deus” além dAquele que foi apresentado como Deus – o Pai. 

A palavra hebraica “echad” tem exatamente o mesmo significado e sentido da palavra “um” em português. Sempre significa “um único”, nunca significa “dois” nem “três”. Esta palavra aparece 952 vezes no antigo testamento, e ainda que não seja traduzida todas as vezes pela mesma palavra, é em todos casos traduzida como significando “um único” em nossas Bíblias. A leitura do contexto de qualquer um dos textos onde ela aparece nos dá a entender exatamente isto. (Para conferência, ver:http://www.blueletterbible.org/tmp_dir/words/2/1164725880-7020.html). 

Citamos abaixo alguns exemplos: 

Gênesis 22:2: 

Acrescentou Deus: Toma teu filho, teu único filho, Isaque, a quem amas, e vai-te à terra de Moriá; oferece-o ali em holocausto, sobre um (ECHAD) dos montes, que eu te mostrarei.”  

Pela ordem acima, Abraão entendeu que deveria sacrificar em “um” (ECHAD) monte, não em três montes. 

Gênesis 41:5: 

Tornando a dormir, sonhou outra vez. De uma (ECHAD) só haste saíam sete espigas cheias e boas” 

“Uma” (ECHAD) “só” haste, não duas ou três. 

Gênesis 44:27, 28: 

Então, nos disse o teu servo, nosso pai: Sabeis que minha mulher me deu dois filhos; um (ECHAD) se ausentou de mim” 

Deuteronômio 6:4: 

Só haviam dois filhos, e “um” (ECHAD) se ausentou. 

O texto de Gên. 3:22 contém a palavra ECHAD e é muito utilizado pelos trinitarianos a favor de suas idéias. Mas uma simples leitura mais atenta nos revela claramente que, neste texto, a palavra ECHAD não prova que exista mais de uma pessoa que seja “Deus”. Vejamos: 

“Então, disse o Senhor Deus: Eis que o homem se tornou como UM (ECHAD) de nós, conhecedor do bem e do mal…” Gênesis 3:22. 

*(A palavra “UM” no verso acima é a tradução da palavra ECHAD no original). 

Note que o verso começa assim: “e DISSE o Senhor Deus”, e não “e DISSERAM”. Utiliza-se a palavra “disse” no singular, e não “disseram” no plural quando se quer dar a entender que foi uma pessoa só quem falou.  Fica evidente que Deus é aqui apresentado como uma pessoa só. O que o texto acima esclarece é que Deus, uma pessoa só, DISSE para outra pessoa que o homem se tornou como um deles, conhecedor do bem e do mal. Neste momento até os anjos que estavam no céu já conheciam o mal, pois conviveram com Satanás antes de ele ser expulso de lá. Assim, a expressão como “um de nós” pode incluir todos os anjos. Bem sabemos que ela não faz dos anjos deuses, apenas mostra que os anjos também já conheciam o mal, como Adão e Eva passavam a conhecer naquele momento. 

Agora, entendido isso, leiamos a conhecida frase de Deut. 6:4 : 

(Shemá Israel, Adonai    Elohenu,       Adonai   Echad)

Ouve Israel, o Senhor nosso Deus, o Senhor é um” Deut. 6:4 (tradução fiel ao original) 

como o próprio texto diz (o Senhor é UM), entendemos que “o Senhor nosso Deus” é uma única pessoa, não um conjunto de pessoas. A Bíblia na Versão Reina Valera apresenta o texto mais fiel: 

“Oye, Israel: Jehová nuestro Dios, Jehová uno (ECHAD) es.” Bíblia Reina Valera 1960 (Espanhol) 

Tradução: “Ouve Israel, Jeová nosso Deus, Jeová é um (ECHAD)”. Uma única pessoa, não duas ou três. 

Outra palavra com a qual se faz bastante confusão na interpretação é o termo hebraico que se lê “ELOHIM”, traduzido por “SENHOR” na versão em português “Almeida Revista e Atualizada”. 

A palavra ELOHIM é utilizada no idioma original tanto para se referir a uma pessoa, quanto a mais de uma pessoa. Citamos dois exemplos: 

Uma pessoa: 

Êxodo 7:1: “Então disse o Senhor a Moisés: Eis que te tenho posto por deus (ELOHIM) sobre Faraó”

Mais de uma pessoa: 

Salmo 82:6: “Eu disse: vós sois deuses (ELOHIM)…”

Queremos saber se a palavra ELOHIM, quando usada para Deus, refere-se a uma pessoa ou a mais de uma pessoa. Temos então de saber: quando a palavra ELOHIM é usada no singular, e quando o é no plural? A resposta é simples: pelo contexto da passagem. Analisemos novamente os dois textos citados acima, para percebermos a regra: 

Exo. 7:1: “Então, disse o Senhor A MOISÉS: Vê que TE constituí como deus (ELOHIM) sobre Faraó”

No texto acima, Deus se dirige a Moisés, que é uma pessoa só, usando o pronome pessoal singular “TE”, e aplica a palavra ELOHIM a ele: “Eis que TE tenho posto por deus (ELOHIM)”. Percebemos, então, que neste caso a palavra ELOHIM se refere a uma pessoa só (Moisés). Analisemos agora o segundo texto: 

Salmo 82:6: “Eu disse: VÓS sois deuses (ELOHIM)…”. (Bíblia Versão Almeida, Revista e Corrigida) 

No verso acima, alguém se dirige a várias pessoas, usando o pronome pessoal PLURAL “VÓS” e as chama de ELOHIM: “VÓS SOIS” deuses (ELOHIM). Vemos, portanto, que a palavra ELOHIM foi usada aqui para se referir a mais de uma pessoa. 

Vemos que, em ambos os casos acima, o que definiu se a palavra ELOHIM era usada no singular ou no plural foi o contexto da passagem. É o contexto, portanto, que nos determinará se a palavra ELOHIM referindo-se a Deus é usada no singular ou no plural. Este método é seguro, pois nele a própria palavra de Deus explica o significado do que ela apresenta. 

A palavra ELOHIM, referindo-se diretamente a Deus, aparece 2346 vezes no antigo testamento. Ao analisarmos o contexto dos versos, verificamos que a referencia a ELOHIM (Deus) é sempre feita no singular. Citamos aqui apenas alguns exemplos para não tornar o estudo muito extenso: 

*(se desejar pesquisar todos eles, acessar http://www.blueletterbible.org/tmp_dir/words/g/1164729137-9926.html): 

“No princípio, CRIOU Deus (ELOHIM) os céus e a terra” Gên. 1:1 (note que o verso diz CRIOU no singular, e não CRIARAM no plural. Vemos, portanto, que, se neste caso a palavra ELOHIM é empregada no singular, refere-se a uma pessoa só – um Deus só) 

“O SENHOR, nosso Deus (ELOHIM), nos FALOU em Horebe…” Deut. 1:6 (note que o verso diz  que Deus “FALOU”, no singular – uma pessoa só – , e não “FALARAM”, que seria o caso de ser plural – mais de uma pessoa) 

“Também DISSE Deus (ELOHIM): façamos o homem à nossa imagem” Gên. 1:26. 

Note que o verso acima apresenta: e “DISSE”, no SINGULAR, e não “e DISSERAM”, pois uma pessoa só, Deus (ELOHIM), falou. Se ELOHIM significasse mais de uma pessoa, este verso deveria dizer: e DISSERAM Deus. Neste caso, não somente este verso deveria ser mudado, mas todos os mais de 2000 versos bíblicos do antigo testamento que apresentam a palavra ELOHIM referindo-se a Deus no singular. 

Concluímos, pois, que a palavra ELOHIM, quando se refere a Deus, é sempre usada no singular, apresentando a Deus como uma pessoa só.

 

Santo, Santo Santo 

E clamavam uns para os outros, dizendo: Santo, santo, santo é o SENHOR dos Exércitos; toda a terra está cheia da sua glória.” Isaías 6:3. 

“E os quatro seres viventes, tendo cada um deles, respectivamente, seis asas, estão cheios de olhos, ao redor e por dentro; não têm descanso, nem de dia nem de noite, proclamando: Santo, Santo, Santo é o Senhor Deus, o Todo-Poderoso, aquele que era, que é e que há de vir.” Apoc. 4:8 

Os dois versos acima, embora nem sequer mencionem o Espírito Santo, são entendidos por muitos como uma prova de haverem três seres supremos iguais em poder e autoridade no céu. A base para tal dedução errônea é a repetição da palavra “santo”, três vezes. Todavia, uma leitura atenta de ambos os versos mostra que não é isso o que eles dizem. Vamos apresentar novamente os trechos dos versos acima, colocando ênfase sobre as palavras em negrito abaixo: 

Santo, santo, santo é o SENHOR … toda a terra está cheia da Sua glória” Isaías 6:3. 

Santo, Santo, Santo é o Senhor Deus, o Todo-Poderoso, aquele que era, que é e que de vir” Apocalipse 4:8. 

O que têm em comum as palavras grifadas nos versos acima? Todas elas estão no “SINGULAR” e não no plural. Usamos palavras do singular quando queremos nos referir a uma pessoa só. Quando nos referimos a mais de uma, utilizamos o plural. Ora, se nós, seres humanos sabemos usar as palavras fazendo diferença entre o singular e o plural para sermos entendidos, quanto mais Deus! Se Deus quisesse se referir a mais de uma pessoa nos versos acima, para nos dar a entender que existem três pessoas, sendo as três um só Deus, teria escrito assim: 

SantoS, santoS, santoS SÃO oS SENHORES … toda a terra está cheia da glória DELES Isaías 6:3. 

SantoS, SantoS, SantoS SÃO o SenhorES Deus, oS Todo-PoderosoS, AQUELES que ERAM, que SÃO e que HÃO de vir” Apocalipse 4:8. 

As letras e palavras em negrito são os acréscimos que deveriam ser feitos para que os dois textos acima provassem a existência de uma “trindade”. Mas não é assim que lemos em nossas Bíblias, não é verdade? É claro, portanto, que, ao usar os termos no singular, Deus estava se referindo a uma pessoa só em cada um dos versos acima. Vemos, portanto, que o fato de a palavra “santo” aparecer três vezes nestes versos não significa que eles estejam falando de mais de uma pessoa. Não podemos entender estar o Espírito Santo como pessoa incluso neles sem fazer violência aos textos. O que significa então a repetição “Santo, santo, santo”? Ao lermos a Bíblia, notamos que esta utiliza-se da repetição para dar ênfase a algo – veja: 

Ao revés, ao revés, ao revés a porei, e ela não será mais, até que venha aquele a quem pertence de direito, e a ele a darei.” Ezequiel 21:27. (Bíblia Versão Almeida, Revista e Corrigida) 

O profeta foi inspirado por Deus a escrever três vezes a palavra “revés” no verso acima, para dar ao impenitente povo de Israel a plena certeza de que Jerusalém seria destruída. A repetição enfatizou a mensagem ao mais alto grau. Os próprios tradutores da Bíblia Almeida explicam que a tríplice repetição encontrada em Isaías 6:3 é usada para dar ênfase, não para ensinar que se tratam de três seres: 

“Santo, santo, santo. A tríplice repetição tem a força de um superlativo. Conhecida como o ‘trishagion’, esta aclamação passou a fazer parte do culto cristão”. (Fonte: Bíblia de Estudo Almeida, 1999, comentário de Isaías 6:4, págs. 732, 733). 

Vemos, portanto, que a repetição “Santo, Santo, Santo” é utilizada mostrar que o Ser mencionado nos versos acima, o “SENHOR”, é SANTO, no mais alto grau,.e que espera-se que nós o reverenciemos como tal: “Santos sereis, porque Eu, o SENHOR, vosso Deus, Sou santo” Levítico 19:2.

 

– Deus é uma, duas ou três pessoas? 

Imagine que você está em uma roda de amigos, quando de repente alguém interrompe a conversa e diz: “para quem é aquele presente ali em cima da mesa”? Um dos seus amigos responde imediatamente, dizendo: “é para mim”. Perguntaria a você leitor: “de acordo com este relato, o presente é para quantas pessoas?”. Notando que quem falou, disse: “para mim”, qualquer um naturalmente responderia: “para uma pessoa só”. Isto porque foi dito “para MIM”, e não para “nós”. Note que o pronome singular “MIM” define o número de pessoas (uma só). Se o presente fosse para mais de uma pessoa, o correto seria dizer: “nós”. 

Pois bem, vejamos um caso similar que aparece nas Escrituras: 

“Não terás outros deuses diante de Mim.” Êxodo 20:3. 

Este é o primeiro mandamento. Quantas pessoas estão pedindo obediência nele? Note o pronome usado – “MIM” (não nós). Vemos que uma só pessoa está pedindo obediência neste mandamento. Quem é esta pessoa? Leiamos: 

“Então, falou Deus todas estas palavras, dizendo: … Não terás outros deuses diante de Mim.Êxodo 20:1, 3. 

Uma pessoa só, “Deus” está pedindo obediência. Vemos, portanto, pelo que está escrito no primeiro mandamento da lei, que Deus é uma pessoa só. Só podemos reconhecer e ou aceitar duas ou três pessoas como sendo “Deus”, ainda que se diga que estas diferentes pessoas sejam um só Deus, mediante transgressão aberta do primeiro mandamento. Aí está o problema da doutrina da trindade em todas as suas variações. Esta ensina que existem três pessoas – “Pai, Filho e Espírito Santo” – que compõem um Deus, enquanto o mandamento ensina que Deus é uma pessoa só. Assim, aceitar a doutrina da trindade significa transgredir o primeiro mandamento. Aos olhos do céu isto é mais do que meramente uma questão de opinião. É pelo padrão da lei de Deus que todos serão julgados no tribunal celestial, e cremos que ninguém gostaria de comparecer nele sabendo estar em transgressão aberta de um dos mandamentos: 

Pois todos compareceremos perante o tribunal de Deus.” Romanos 14:10 

O trecho mais confiável da Bíblia é o relato dos Dez Mandamentos, e isto por uma razão: porque neles Deus se revela como escritor. Embora toda a Bíblia tenha sido escrita por homens inspirados por Deus, os mandamentos não foram escritos por homens, mas pelo próprio dedo de Deus, como a Palavra o declara: 

“E, tendo acabado de falar com ele no monte Sinai, deu a Moisés as duas tábuas do Testemunho, tábuas de pedra, escritas pelo dedo de Deus….e, voltando-se, desceu Moisés do monte com as duas tábuas do Testemunho nas mãos, tábuas escritas de ambos os lados … as tábuas eram obra de Deus; também a escritura era a mesma escritura de Deus, esculpida nas tábuas” Êxodo 31:18; 32:15, 16. 

Assim, ainda que pudéssemos por em dúvida a autenticidade de todas as passagens da Bíblia, não poderíamos por a dos Dez Mandamentos, pois Deus mesmo Se encarregou de escrevê-los com Seu dedo, a fim de que não fossem distorcidos, e preserva-los, para que o homem os pudesse conhecer e obedecer. E no tocante a quantas pessoas são “Deus”, a despeito das evidências que possam ser apresentadas em contrário, o mandamento é por demais claro para ser desconsiderado. E não é o único a dar testemunho. Várias outras passagens das Escrituras dizem que Deus é uma pessoa só: 

Vede, agora, que Eu Sou, Eu somente, e mais nenhum deus além de Mim; Eu mato e Eu faço viver; Eu firo e Eu saro; e não há quem possa livrar alguém da Minha mão.” Deuteronômio 32:39. 

Pois não há outro Deus, senão EuIsaías 45:21. 

Note que, em ambas passagens acima, Deus se refere a Si mesmo como sendo uma pessoa só, pois usa as palavras “Eu” e “Mim”. Se nós, que somos homens, sabemos usar as palavras “Eu” e “Mim” quando queremos nos referir a uma pessoa só (a nossa pessoa), quanto mais Deus! 

visto que Deus é um só Rom. 3:30. 

Crês, tu, que Deus é um só? Fazes bem. Até os demônios crêem e tremem. Tiago 2:19. 

Satanás e seus anjos rebeldes, embora caídos, conhecem o Deus contra o qual se rebelaram. A Escritura declara, no verso acima, que mesmo eles sabem que Deus é um só. Embora tenham feito muitos crerem que Deus é “três em um”, uma trindade, a Bíblia testifica que eles estão conscientes de que Deus é um só.  Como já vimos, isso significa “uma pessoa só”. E dos que crêem no Seu testemunho, a Bíblia diz: 

“Crês, tu, que Deus é um só? Fazes bem.” Tiago 2:19.

 

– Quem é Deus? 

O mandamento 

O mandamento declara que Deus é uma pessoa só. Quem é este Deus? Em João 15:10,  lemos as palavras de Jesus: 

“Tenho guardado os mandamentos de Meu Pai.” João 15:10. 

Jesus disse que tinha guardado os mandamentos de Seu Pai. O primeiro mandamento, que diz: “Não terás outros deuses diante de MIM” Êxo. 20:3, é o mandamento do Pai de Jesus. O Pai é a pessoa que ordena que não tenhamos outros deuses diante dEle. Há portanto, um só Deus – o Pai, de acordo com o mandamento.

 

O testemunho de Jesus 

Sabemos que Jesus foi enviado por Deus ao mundo para revelar a verdade. Jesus disse em João 14:6, que Ele é a “VERDADE”: 

“Respondeu-lhe Jesus: Eu Sou o caminho, e a verdade…” João 14:6. 

Isto significa que Jesus nunca mentiu. Podemos crer em tudo o que Jesus disse como sendo a verdade. Nas palavras de Jesus temos plena segurança; nelas podemos depositar nossa fé, pois elas certamente nos conduzirão na vereda segura para a vida eterna. 

Vejamos então o que Jesus tem a dizer sobre quem é Deus. Leiamos João 17:1, 3: 

Tendo Jesus falado estas coisas, levantou os olhos ao céu e disse: Pai, é chegada a hora…E a vida eterna é esta: que Te conheçam, a Ti, o único Deus verdadeiro João 17:1, 3. 

Nesta passagem, vemos que Jesus disse que o Pai é o ÚNICO Deus verdadeiro. O que a palavra ÚNICO significa? Significa que não há outro. Jesus disse claramente que não há nenhum outro Deus, além do Pai.

 

O Pai é Maior que Eu – João 14:28 

Muitos pensam que Jesus é Deus assim como o Pai o é. Mas Jesus mesmo disse que o Pai é maior que Ele. Leiamos o texto de João 14:28: 

“Respondeu Jesus … o Pai é maior do que Eu João 14:23, 28. 

O Pai, que é Deus, é maior que Jesus.

 

Eu e o Pai somos um – João 10:30 

Quando Jesus disse as palavras acima, os judeus pensaram que Ele estava dizendo que era “Deus”; mas Jesus, para evitar que eles ficassem com esta impressão, os corrigiu. Leiamos o relato, em João 10:29-36:

“Aquilo que meu Pai me deu é maior do que tudo; e da mão do Pai ninguém pode arrebatar. Eu e o Pai somos um.

Novamente, pegaram os judeus em pedras para lhe atirar. Disse-lhes Jesus: Tenho-vos mostrado muitas obras boas da parte do Pai; por qual delas Me apedrejais? Responderam-lhe os judeus: Não é por obra boa que Te apedrejamos, e sim por causa da blasfêmia, pois, sendo Tu homem, te fazes Deus a Ti mesmo. 

Replicou-lhes Jesus: Não está escrito na vossa lei: Eu disse: sois deuses? Se Ele chamou deuses àqueles a quem foi dirigida a palavra de Deus, e a Escritura não pode falhar, então, daquele a quem o Pai santificou e enviou ao mundo, dizeis: Tu blasfemas; porque declarei: Sou Filho de Deus?” João 10:29-36. 

Quando Jesus disse “Eu e o Pai somos um”, os judeus pensaram que Ele estava querendo dizer que Ele era um “Deus” junto com Seu Pai. Mas Jesus esclareceu o que disse, e para que não houvesse mal entendido, explicou que Ele em verdade havia dito “Sou Filho de Deus”. Veja abaixo o diálogo de forma resumida: 

“Aquilo que Meu Pai me deu é maior do que tudo; e da mão do Pai ninguém pode arrebatar. Eu e o Pai somos um.

Responderam-lhe os judeus: …, te fazes Deus a Ti mesmo. Replicou-lhes Jesus: … declarei: Sou Filho de Deus João 10:29-36

Pela explicação que Jesus mesmo deu, vemos que, crer que Jesus é Deus com base no texto acima, é repetir o erro dos fariseus do passado. Note também que Jesus também lembrou aos fariseus o fato de a Escritura chamar de “deuses” aqueles que se recebem a Palavra de Deus: 

“Não está escrito na vossa lei: Eu disse: sois deuses? Se Ele chamou deuses àqueles a quem foi dirigida a palavra de Deus”

Jesus explicou o fato de o próprio Deus chamar de “deuses” aqueles que recebem Sua Palavra em seus corações, sendo por ela transformados. Desta forma, mostrou aos fariseus que Ele havia dito “Eu e o Pai somos um” no mesmo sentido no qual qualquer ser humano que cresse poderia ser um dos “deuses”, mencionados pela Escritura – “um” com o Pai em caráter, assim como Ele o era. Foi expressando esse desejo que Jesus mais tarde orou a Seu Pai:

“Não rogo somente por estes, mas também por aqueles que vierem a crer em Mim, por intermédio da Sua Palavra; a fim de que todos sejam um; e como és Tu, ó Pai, em Mim e Eu em Ti, também sejam eles em Nós; para que o mundo creia que Tu me enviaste.” João 17:20, 21.

 

O Deus de Jesus 

Jesus mesmo reconhecia que o Pai era o Seu Deus – vejamos em Mateus 27:46: 

“Por volta da hora nona, clamou Jesus em alta voz, dizendo: Eli, Eli, lamá sabactani? O que quer dizer: Deus Meu, Deus Meu, porque Me desamparaste?” Mateus 27:46. 

Muitos entendem que Jesus, depois de ressuscitar, passou a existir como Deus. Mas vemos que, mesmo depois de ressuscitado, Ele reconhecia Seu Pai como sendo o Seu Deus. Ele disse que o nosso Deus, o Pai, é também o Deus dEle – João 20:17: 

Disse-lhe Jesus: … vai para Meus irmãos e dize-lhes que Eu Subo para Meu Pai e vosso Pai, Meu Deus e vosso Deus. João 20:17. 

Se Jesus reconhece o Pai como sendo o Seu Deus, não pode ser Deus como o Pai. E Paulo, escrevendo aos Efésios, também confirma que Deus, o Pai, é também o Deus de Jesus:

para que o Deus de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai da glória, vos conceda espírito de sabedoria” Efésios 1:17.

 

O testemunho da igreja apostólica 

Após Sua ressurreição, uma vez cumprida Sua missão nesta terra, Jesus ascendeu aos céus. Ele deixou na terra um grupo de pessoas – Sua igreja, encarregada de preservar a verdade que saíra de Seus santos lábios, e proclamá-la ao mundo. O apóstolo Paulo afirma que recebeu do próprio Jesus as verdades que pregava – Leiamos em Gálatas 1:11, 12: 

“Faço-vos, porém, saber, irmãos, que o evangelho por Mim anunciado não é segundo o homem … mas mediante revelação de Jesus Cristo Gálatas 1:11, 12. 

Os apóstolos pregavam aquilo que haviam aprendido de Jesus. Paulo, escrevendo aos Coríntios, deixou o registro daquilo que aprendeu de Jesus – uma declaração da fé da igreja apostólica – leiamos:

“Porque, ainda que há também alguns que se chamem deuses, quer no céu ou sobre a terra, como há muitos deuses e muitos senhores, todavia, para nós há um só Deus, o Pai I Coríntios 8:5, 6. 

Paulo também expressou sua crença no único Deus, o Pai, diversas vezes em suas epístolas. Você pode ler nas passagens de Romanos 1:7; I Coríntios 1:3; II Coríntios 1:2; Gálatas 1:3, 4; Efésios 1:2,3; 4:6; Filipenses 1:2; Colossenses 1:2; I Tessalonicenses 1:1; II Tessalonicenses 1:2; I Timóteo 2:5; Tiago 2:19. 

Para a igreja apostólica, estava claro que existe um só Deus – o Pai. Os apóstolos não entendiam que Jesus era um Deus igual ao Pai. Eles entendiam que Jesus era o Filho de Deus – leiamos: 

“a graça, a misericórdia e a paz, da parte de Deus Pai e de Jesus Cristo, o Filho do Pai, sejam convosco” II João 3. 

“Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo…” Efésios. 1:3. 

O apóstolo Pedro concordava com Paulo e João, que escreveram os versos acima – I Pedro 1:3: 

“Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo…” I Pedro 1:3.

 

O Testemunho do Antigo (Velho) Testamento 

Até aqui vemos harmonia entre o que foi ensinado por Deus no primeiro mandamento, por Jesus, a quem Ele enviou, e pelos apóstolos, que foram enviados por Jesus para apresentar Sua verdade ao mundo, sobre quantos deuses existem e quem é Deus. Deus (pelo mandamento), Jesus e a igreja apostólica, ensinam que há um só Deus, “o Pai”. Mesmo no Antigo (Velho) Testamento, a Bíblia ensina claramente que há apenas um só Deus – o Pai. Leiamos em Isaías 45:21, 22: 

“Pois não há outro Deus, senão Eu, Deus justo e Salvador não há além de Mim. … porque Eu Sou Deus, e não há outro.” Isaías 45:21, 22. 

A mesma verdade é expressa em diversas outras passagens do antigo testamento. Citamos a referência de algumas delas, caso queiras consultar: Êxodo 20:3; Deuteronômio 4:35, 39; 5:6, 7; 6:4; Isaías 44:6, 8; 45:18, 21, 22; 46:9. 

Note também que, não apenas em todo o antigo testamento, mas também no novo testamento, todas as referências que a Bíblia faz a Deus são feitas no singular, não no plural. Sempre usamos referências no singular quando queremos nos referir a uma pessoa só. Damos aqui alguns exemplos:

Disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem” Gen. 1:26 (note que diz “disse”, no singular. Se Deus fosse mais de uma pessoa, o texto deveria apresentar: “disseram Deus”). Muitos se baseiam na palavra “façamos” para defender a crença de que Deus é mais de uma pessoa. Todavia, segundo o texto, a palavra “façamos” foi dita por uma pessoa só: “DISSE (não DISSERAM) Deus: façamos”. Quando uma pessoa convida outra para que faça algo junto com ela, embora ela só pronuncie o convite, o faz no plural, pois inclui a convidada: “façamos” tal coisa. No caso de Gênesis 1:26, vemos que Deus, uma pessoa, fez o convite para que outra pessoa tomasse parte com Ele na formação do homem. Por isso disse: “façamos o homem à nossa imagem”. Para quem dirigiu Deus a palavra “façamos” nesta ocasião? A Bíblia nos dá a resposta. Falando de Cristo, diz: “sem Ele nada do que foi feito se fez” João 1:3. Foi a Cristo que Deus disse: “façamos o homem à nossa imagem”. Lendo e atentando para o que Deus diz, e crendo nEle, podemos conhecer a verdade.

 

Citações bíblicas mal traduzidas 

Existem alguns textos da Bíblia que foram mal traduzidos a partir do original e outros que são mal interpretados, levando as pessoas a entenderem que existe mais de um Deus. Todavia, a maior prova de que estes textos não estão de acordo com o original ou estão sendo mal interpretados, é que eles trazem afirmações que são contrárias à verdade revelada pelo mandamento, por Jesus e pelos apóstolos, de que há apenas um só Deus, o Pai. Citamos os textos que não estão de acordo com o original: I João 5:7, 8; Romanos 9:5; Tito 2:13; Judas 4; João 1:1; João 1:18; Hebreus 1:8. 

Vamos comentar resumidamente cada um destes textos acima, para evitar que fiquemos com dúvidas:

 

– I João 5:7, 8: 

A frase que aparece no verso, na qual se lê: “há três que dão testemunho na terra – o Pai, a Palavra e o Espírito Santo, e os três são um” – não existe no original bíblico. Possivelmente, este texto aparece na Bíblia que você tem em mãos entre colchetes (este sinal: [_ _ _]). E o comentário da Bíblia de Jerusalém esclarece que o texto não pertence ao original – veja:

O texto dos vv. 7-8 é acrescido na Vulg.de um inciso (aqui abaixo entre parênteses) ausente dos antigos mss gregos, das antigas versões e dos melhores mss da Vulg., o qual parece ser uma glosa marginal introduzida posteriormente no texto: “Porque há três que testemunham (no céu: o Pai, o Verbo e o Espírito Santo, e esses três são um só; e há três que testemunham na terra): o Espírito , a água e o sangue, e esses três são um só”.’ Bíblia de Jerusalém, terceira impressão, 2004, págs. 2132, 2133 (comentário de rodapé sobre I João 5:7 – grifo nosso). 

Apresentamos abaixo o texto segundo a versão mais fiel original, sem o acréscimo da frase acima: 

“Pois há três que dão testemunho: o Espírito, a água e o sangue, e os três são unânimes num só propósito.” I João 5:7. (Fonte: Bíblia de Estudo Almeida, 1999) 

O texto de I João 5:7 com a parte acrescentada pelo homem, que não pertence ao original, é apresentado por muitos como prova de que a doutrina da trindade é bíblica; mas quando lemos o verso sem o texto acrescentado, fica claro que ele não prova que exista uma trindade. Apenas fala do Espírito de Deus, da água e do sangue.

 

– Romanos 9:5: 

Em algumas traduções da Bíblia, como na Versão Almeida Revista e Atualizada, o texto desse verso parece dizer que Jesus é Deus. Sabemos que a carta aos Romanos foi escrita por Paulo, o mesmo que escreveu para os Coríntios que “há um só Deus, o Pai” (I Cor. 8:6). Paulo, escrevendo sob a inspiração de Deus, NUNCA iria se contradizer. Não iria, ao escrever para os Romanos, contradizer o que ele havia escrito um ano antes, para os Coríntios. Vemos, portanto, que o texto de Rom. 9:5 está mal traduzido nas versões que dão a entender que Jesus seria Deus também. 

Segue abaixo a tradução mais fiel ao original, que está nas notas de rodapé de algumas versões da Bíblia, inclusive na Bíblia de Estudo Almeida Revista e Atualizada: 

“deles são os patriarcas, e também deles descende o Cristo. Louvado para sempre seja Deus, que está sobre todas as coisas!” Romanos 9:5. (Fonte: Bíblia de Estudo Almeida, 1999, pág. 230, Novo Testamento, nota “f”).

 

– Tito 2:13:

Convidamos você a ler este texto na sua Bíblia. Da forma que se lê em diversas Bíblias, parece que Paulo, que escreveu esta carta, estava ensinando que Cristo também é Deus. Isto não é verdade. Ele não escreveria, sob inspiração divina, algo que estivesse contrário ao mandamento, aos ensinos de Jesus e o que ele próprio escreveu nas suas outras cartas (I Cor. 8:6; Ef. 4:6; I Tim. 2:5). Segue abaixo a tradução mais fiel ao original, que está em harmonia com o ensino de Deus, de Cristo e dos apóstolos: 

procurando por aquela bendita esperança, e o glorioso aparecimento de nosso grande Deus e nosso Salvador Jesus Cristo; {glorioso…: Grego: o aparecimento da glória do grande Deus, e de nosso Salvador Jesus Cristo}” Tito 2:13 (Fonte: 1769 Authorized Version, tradução para o inglês – disponível no CD Bíblia ONLINE, versão 2.01). 

Perceba que, nesta versão, o próprio tradutor assevera que do grego temos: “da glória do grande Deus, e de nosso Salvador Jesus Cristo”. Não apresenta a Cristo como Deus, antes, faz uma distinção (separação) entre Ele e Deus. No texto original, um é o grande Deus; outro é o Salvador Jesus Cristo.

 

– João 1:18: 

Um outro texto que causa dúvidas e aparece mal traduzido em algumas Bíblias, é João 1:18. Nas versões mais antigas, Jesus Cristo é apresentado como “Filho Unigênito” neste verso. Todavia, nas traduções mais modernas da Bíblias lemos que Jesus é chamado de “Deus Unigênito”. Este parece ser um esforço dos tradutores para fazerem os leitores modernos a crerem que Jesus seria “Deus” como o Pai, mas distorce a pura verdade da Palavra de Deus, e os induz ao erro. Apresentamos abaixo o texto segundo versões antigas da Bíblia, mais fiel ao original: 

Deus nunca foi visto por alguém. O Filho unigênito, que está no seio do Pai, este o fez conhecer.” João 1:18. (Fonte: Bíblia Versão Almeida Revista e Corrigida).

 

– Judas 4: 

Outro texto no qual existe um problema de tradução é Judas verso 4. Pedimos a você que o leia na sua Bíblia. Da forma que é apresentado em traduções mais recentes, este texto dá a entender que Jesus seria o único Soberano. Mas isto estaria contradizendo a Bíblia. Leia I Timóteo 6:15, 16, onde está escrito que “Aquele que nenhum olho viu” (isto é, Deus o Pai) é o único Soberano: 

“há de ser revelada pelo bendito e único Soberano, o Rei dos reis e Senhor dos senhores; o único que possui imortalidade, que habita em luz inacessível, a quem homem algum jamais viu, nem é capaz de ver.” I Timóteo 6:15, 16. 

O único que “homem algum jamais viu”, que é mencionado como o “único Soberano” no texto acima, é o Pai, porque quanto a Jesus, não só os doze discípulos como muitos outros O viram. A Palavra mesmo diz: “Ninguém jamais viu a Deus, o Filho Unigênito… é quem o revelou” João 1:18. Ela separa “Deus” do “Filho”, como dois seres distintos, e aclara que apenas Deus não foi visto por ninguém. 

Foi Paulo, sob inspiração divina, quem escreveu a carta para Timóteo. Nela, vemos claramente explicado que o Pai é o único Soberano. Judas, escrevendo sob inspiração divina, não iria nunca contradizer o que Paulo escreveu inspirado pelo mesmo Deus. Deus não é Deus de confusão. Acrescentamos ainda que, fosse Jesus o único Soberano, seria Ele o Soberano de Seu Pai? Algum Filho obediente na terra tem o pai como seu servo? Isto não só não faria sentido nem para nós, homens, pois estaria contra a ordem natural das coisas, quanto também está contra a verdade da Palavra. Ela revela que o Deus, o Pai, está sobre o Filho, e não sob Ele: 

Um só Deus e Pai de todos, o qual é sobre todos Efésios 4:6. 

o próprio Filho também Se sujeitará Àquele que todas as coisas Lhe sujeitou, para que Deus seja tudo em todos I Coríntios 15:28. 

Segue abaixo a tradução mais fiel ao original do texto de Judas 4, que apresenta Deus, o Pai, como o único Soberano, e está em harmonia com a revelação bíblica e mesmo a ordem natural das coisas: 

“Porque alguns homens se introduziram de maneira encoberta, os quais desde antes haviam sido ordenados para esta condenação, homens ímpios, convertendo a graça de nosso Deus em dissolução, e negando a Deus, que é o único soberano, e a nosso Senhor Jesus Cristo.” Judas 4 (Fonte: Bíblia Versão Reina Valera 1909 – tradução ao espanhol – disponível no CD Bíblia ONLINE, versão 2.01).

 

– João 1:1: 

Outro texto que possui problemas de tradução é o de João 1:1. Convidamos você a ler este texto na sua Bíblia. Da forma como se apresenta, o texto estaria dizendo que Jesus, ao menos no princípio, antes de vir para a Terra, era Deus. Fosse isto verdade, e estaria contrariando não só o primeiro mandamento, como também o que o próprio apóstolo João escreveu neste mesmo evangelho em João 17:3, dizendo que o Pai é o único Deus: 

“E a vida eterna é esta, que Te conheçam, a Ti, o único Deus verdadeiro João 17:3. 

Mas o texto de João 1:1 foi mal traduzido. A tradução mais fiel a partir do original grego é: 

No princípio estava o Verbo, e o Verbo estava em Deus, e Deus era o Verbo.” João 1:1. (tradução fiel ao original grego:

en arch   hn o logov kai o logov   hn    prov ton yeon

no  princípio era o Verbo       e    o  Verbo   estava      em      o     Deus

 

 

kai yeov hn o logov

 e    Deus  era  o  Verbo) (Obs.: Esta versão do original encontra-se no CD Bíblia ONLINE, versão 2.01).

O texto acima é quase coincidente com a tradução da Vugata para o espanhol, que citamos abaixo: 

En el principio “era ya el Verbo”, y el Verbo estaba en Dios, y el Verbo era Dios.” (grifo e ênfase nossos) (Fonte: La sagrada Biblia (2003): Traducción de la Vulgata Latina por Don Félix Torres Amat, San Martín y Domínguez Editores, Colombia, ISBN: 968-5161-46-1).

Tradução: 

“No princípio “já era o Verbo”, e o Verbo estava em Deus, e o Verbo era Deus”

Outra versão em português apresenta a mesma tradução, o que mostra que o entendimento de que a tradução correta de João 1:1 apresenta “o Verbo estava em Deus” não é uma interpretação particular ou resultado de distorção do significado do texto original. Ao contrário, é reconhecida mesmo por diferentes tradutores:

“No princípio existia o Verbo; o Verbo estava em Deus; e o Verbo era Deus.” (Fonte: Bíblia Sagrada Missionários da Difusora Bíblica Fransciscanos Capuchinhos, edição de 2002).

O que o texto está dizendo é que, no princípio, Jesus estava em Deus. Não que Ele fosse um outro Deus, como o Pai. Veremos como pode ser isso no próximo capítulo deste livro. Por ora, nos é suficiente ver que o texto, em sua versão original, não está dizendo que Jesus era Deus.

 

– Hebreus 1:8 

Finalmente, comentamos o texto de Hebreus 1:8. Segundo o que a maior parte das traduções da Bíblia apresentam, o texto estaria mostrando o próprio Pai chamando a Cristo de “Deus”. Todavia, este texto foi originalmente escrito por Paulo, o mesmo que escreveu aos Coríntios (I Cor. 8:6), a Timóteo (I Tim. 2:5) e aos Efésios (Ef. 4:6) que “há um só Deus, o Pai”. Obviamente, Paulo, escrevendo sob inspiração divina, não iria contradizer o que já havia repetido tantas vezes quando escrevendo para outras igrejas. Este texto está mal traduzido. Veja como ele aparece na nota da Bíblia “Revised Standard Version, 1947” , tradução para o idioma inglês: 

“but of the Son he saith, {1} {2} Thy throne, O God, is for ever and ever; And the sceptre of uprightness is the sceptre of {3} thy kingdom. {1) Ps 45:6 f 2) Or Thy throne is God for etc 3) The two oldest Greek manuscripts read his}” 

Tradução: 

“mas do Filho Ele disse {1} {2} Teu trono, Ó Deus, é para sempre e sempre; E o cetro de eqüidade é o cetro do {3} Teu reino.

{1) Sl. 45:6 f  2) Ou Teu trono é Deus para etc. 3) Os dois manuscritos Gregos mais antigos apresentam Seu}” (grifo e ênfase nossos) 

Perceba que, na passagem acima, o tradutor sugere como tradução possível o texto: “Teu trono é Deus para”. Escrito desta forma, o texto ensina em linguagem figurada que o Pai é o “trono” de Jesus, por ser Aquele que O elevou ao trono do Universo junto conSigo. Obviamente, a tradução proposta muda o entendimento da passagem; tira-a de um entendimento conflitante com a verdade de I Cor. 8:6 (há um só Deus, o Pai), e coloca-a em harmonia com tal verdade. Por isso, aceitamos esta tradução. E essa tradução não é a única que apresenta o texto desta forma. Outras traduções apresentam o mesmo: 

Moffat: 

Deus é teu trono para todo o sempre, teu cetro real é um cetro de eqüidade” Hebreus 1:8. 

The American Translation: 

“Mas do filho ele diz: ‘Deus é o seu trono para todo o sempre!’” Hebreus 1:8.

Paulo estava em verdade dizendo que Cristo foi exaltado por Seu Pai ao trono, e não que Cristo era Deus igual ao Pai. Paulo não iria escrever algo que contrariasse o próprio primeiro mandamento, que afirma que não devemos ter outro Deus além da pessoa do Pai. A Bíblia mesmo nos adverte a termos cuidado quando estudamos as epístolas de Paulo, para que não torçamos suas palavras, chegando a conclusões errôneas: 

“…o nosso amado irmão Paulo vos escreveu, segundo a sabedoria que lhe foi dada, ao falar acerca destes assuntos, como de fato costuma fazer em todas as suas epístolas, nas quais há certas coisas difíceis de entender, que os ignorantes e instáveis deturpam, como também deturpam as demais Escrituras, para a própria destruição deles.

Vós, pois, amados, prevenidos como estais de antemão, acautelai-vos; não suceda que, arrastados pelo erro desses insubordinados, descaiais da vossa própria firmeza” II Pedro 3:15-17. 

Em Deus “não pode existir variação ou sombra de mudança” (Tiago 1:17). Por isso, sabemos que Ele nunca inspiraria Paulo a escrever que há um só Deus, o Pai, em I Cor. 8:6, para em seguida o levar a escrever que em verdade há também outro Deus – Jesus. Que não caiamos no erro torcer as palavras das epístolas de Paulo a fim de buscar fazer a Palavra de Deus dizer o que ela não diz. 

O papado (igreja católica), chamado de “Babilônia” em Apocalipse 17:3, é responsável pela maior parte das traduções da Bíblia. Mesmo a popular versão Almeida para o português foi traduzida por um padre (João Ferreira de Almeida), que, por função, era pertencente ao clero comandado pelo papado. Babilônia significa confusão, e é um bom nome para descrever exatamente o papado fez na tradução das Bíblias – uma confusão para fazer as pessoas que lêem a Bíblia crerem na doutrina da trindade, que é a doutrina central da fé católica. Mas esta doutrina é anti-bíblica. As doutrinas bíblicas, como o sábado, o santuário etc., sempre são claramente reveladas na Palavra de Deus, mas o nome “trindade” nem sequer aparece na Bíblia.

 

Quem é Jesus Cristo? 

Muitos pensam que, ao considerar Jesus como não sendo “Deus”, ou sendo inferior ao Pai em poder ou hierarquia, estão rebaixando-O, e assim estão a fazer a obra de Satanás, pois foi ele quem desejou diminuir a Cristo. Na seção a seguir, trataremos disso. 

 

Como Deus deseja que exaltemos a Jesus 

A Bíblia apresenta qual é a razão pela qual Deus deseja que exaltemos a Jesus: 

Tende em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus, pois Ele, subsistindo em forma de Deus, não julgou como usurpação o ser igual a Deus; antes, a Si mesmo Se aniquilou, tomando a forma de servo, tornando-Se em semelhança de homens; e, reconhecido em figura humana, a Si mesmo Se humilhou, tornando-Se obediente até à morte e morte de cruz. Pelo que também Deus o exaltou sobremaneira e Lhe deu o nome que está acima de todo nome, para que ao nome de Jesus se dobre todo joelho, nos céus, na terra e debaixo da terra, e toda língua confesse que Jesus Cristo é Senhor, para glória de Deus Pai.” Filipenses 2:5-11. 

A passagem acima apresenta a razão pela qual Deus deseja que exaltemos a Jesus. Note que a passagem dá ênfase ao sacrifício de Jesus: 

Ele, subsistindo em forma de Deus … a Si mesmo Se aniquilou, tomando a forma de servo … 

reconhecido em figura humana, a Si mesmo Se humilhou, 

tornando-se obediente até à morte, e morte de cruz”. 

O texto nos apresenta os passos na humilhação de Jesus: 

1- Estando na posição mais exaltada em que um ser, fora Deus, poderia estar no Universo, Se aniquilou e se fez homem, tomando a forma de servo;

2 – Reconhecido em figura humana, estando já na forma de homem, a Si mesmo Se humilhou

3 – Foi obediente até à morte, e morte de cruz. 

O relato termina na cruz, pois na cruz o sacrifício de Cristo atingiu o mais alto grau. Não havia mais nada que Ele podia ter feito. Não tinha como o sacrifício ter sido maior. Descendo do lugar mais alto no céu, chegando ao lugar mais desprezível do Universo, poluído pelo pecado e pelas trevas, identificando-se com os seres de menor valor moral do Universo, homens inimigos de Deus, humilhando-Se para com estes homens e na presença deles entregar Sua vida sem ser por eles reconhecido, na forma mais humilhante de execução jamais conhecida. Após relatar o sacrifício de Jesus, o texto declara que foi por esta razão que Deus O exaltou:

Pelo que também Deus O exaltou sobremaneira…” Filipenses 2:9.

As palavras “pelo que” do texto acima mostram que foi pela razão apresentada nos versos anteriores (o sacrifício de Cristo ao deixar as cortes celestiais e Se entregar pelo homem) que Deus O exaltou. Paulo mesmo, obediente à vontade divina, fazia do sacrifício de Cristo, consumado na cruz, o tema mais importante da sua pregação:

nós pregamos a Cristo crucificado, que é escândalo para os judeus e loucura para os gregos … Porque decidi nada saber entre vós, senão a Jesus Cristo e este crucificado.” I Coríntios 1:23; 2:2. 

E Deus espera que exaltemos a Jesus pelo mesmo motivo que Ele e Paulo O exaltaram. Note que o reconhecer ou não a Jesus como Deus, nada tem que ver com não O exaltar da maneira que Deus espera que O exaltemos. Se reconhecemos Jesus como o Senhor de nossa vida e O exaltamos por isso, estamos dando a Ele a homenagem que Deus espera que Lhe demos, mesmo que vejamos pela palavra que há um só Deus, o Pai. 

No capítulo anterior, vimos que a Palavra de Deus revela haver apenas um único Deus, e que este é o Pai de Jesus Cristo. O que podemos dizer então da pessoa de Jesus antes, durante e após Sua encarnação, Se Ele não é um “Deus” como Seu Pai? Neste capítulo trataremos deste tema – Cristo ontem, hoje e eternamente.

 

No princípio – o Filho de Deus 

No primeiro verso do evangelho de João, é retratada a situação de Jesus logo ao princípio de tudo, antes de se iniciar a obra da criação do Universo. A tradução mais fiel a partir do original grego é: 

“No princípio estava o Verbo, e o Verbo estava em Deus, e Deus era o Verbo” João 1:1 (tradução fiel ao original). 

O que o texto está dizendo é que, no princípio, Jesus estava dentro de Deus – por isso diz: “o Verbo estava EM Deus”. Como pode ser isto? Simples: 

A Bíblia repete em muitas passagens que Jesus é “Filho de Deus” Jesus mesmo o disse: “declarei: Sou Filho de Deus” João 10:36. Segundo a Palavra de Deus, um Filho só é “filho” porque foi gerado de Seu Pai. A Bíblia utiliza o termo “gerar” para se referir a filhos naturais e legítimos – veja o exemplo em Gênesis 5:3: 

“Viveu Adão cento e trinta anos, e GEROU um filho à sua semelhança, conforme a sua imagem, e lhe chamou Sete.” Gênesis 5:3. 

Sete foi filho literal de Adão. A Palavra de Deus usa a palavra “gerou” para descrever Sete como sendo filho literal, nascido, de Adão. Quem desejar pode ler todo o capítulo 5 de Gênesis, bem como todas as outras passagens nas quais a Bíblia menciona as genealogias (registros de nomes de pais e seus respectivos filhos), para verificar por si mesmo que sempre a Palavra de Deus utiliza a expressão “gerar” para se referir a filhos literais. Relativamente a Sete, no texto que lemos a pouco, ainda é dito que era um filho conforme a “semelhança de Adão”, conforme a “Sua imagem”. Esta é a descrição que a Bíblia dá de um filho literal. A Bíblia usa o mesmo verbo, “gerar”, para mostrar que Jesus é um Filho literal e legítimo de Deus, Seu Pai – vejamos em Hebreus 1:5:

“Pois a qual dos anjos disse jamais: Tu é Meu Filho, Eu hoje Te gerei? E outra vez: Eu lhe serei Pai, e Ele Me será Filho?” Hebreus 1:5.

Um filho literal herda traços da imagem da pessoa de seu pai. Como prova de que Cristo é um Filho literal de Deus, a Bíblia afirma: 

“O qual [o Filho], sendo o resplendor da Sua glória, e a expressa imagem da Sua pessoa [do Pai] Hebreus 1:3. 

A palavra “expressa” pode ser atribuída à filiação de Cristo para com Deus, o Pai, porque na geração de um Filho pelo próprio Deus não há qualquer perda ou distorção. Deus é perfeito no que faz; e ao gerar Seu Filho, O fez segundo a “expressa”, total e completa, imagem da Sua pessoa. 

Assim como Deus formou a Eva a partir da costela, que fica na altura do seio (peito) de Adão, Cristo saiu do seio do Pai. No relato da formação do homem, vemos que a raça humana foi feita à “semelhança” de Deus e Cristo, pois Deus disse a Seu Filho: “façamos o homem à nossa [do Pai e do Filho] imagem” (Gen. 1:26). A palavra “nossa” ensina que o primeiro par formado no Éden o seria a semelhança de Deus e Seu Filho. E sobre Eva está escrito, não que teve mãe, mas que foi formada diretamente a partir de Adão: 

“Então, o SENHOR Deus fez cair um sono pesado sobre Adão… e tomou uma das suas costelas… E da costela que o SENHOR Deus tomou do homem formou uma mulher Gênesis 2:21-23. (Bíblia Versão Almeida Revista e Corrigida). 

A formação do primeiro par é uma lição objetiva da origem de Cristo, pois Deus havia dito a Ele: “façamos o homem… conforme a nossa semelhança”. A Bíblia ensina que Cristo é o unigênito, ou “único Filho gerado”*, do Pai. Gerado, não de uma mãe, mas somente do Pai, tal como Eva foi gerada somente de Adão. Assim como, figuradamente falando, Eva estava “em”, ou dentro de Adão, antes de ser formada, Cristo estava “em” Deus antes de ser gerado. Em Gênesis 5, este entendimento é exposto:

“No dia em que Deus criou o homem, à semelhança de Deus o fez. Macho e fêmea os criou, e os abençoou, e chamou o seu nome Adão Gênesis 5:1, 2. (Bíblia Versão Almeida Revista e Corrigida).

Note que, segundo o texto acima, Deus fez Adão e Eva, “macho e fêmea”, e os chamou, aos dois, de “Adão”. Assim como Deus, vendo de antemão a Eva que Ele formaria, dentro de Adão, chamou ambos pelo mesmo nome – Adão, também revelou a João que, vendo de antemão o Filho que geraria, dentro de Si mesmo, chamou-O pelo Seu nome, dizendo: “e Deus era o Verbo” (ou “o Verbo era Deus”). Tal como, antes de ser gerada, Eva recebe o nome de Adão, antes de ser gerado, Cristo recebe o nome de Deus, Seu Pai. Eva era pré-existente em Adão – antes de existir estava em Adão. Cristo era pré-existente em Deus – antes de existir como pessoa, estava em Deus. Jesus mesmo disse que saiu do Pai – vejamos: 

Leiamos João17:8. Lá, Jesus disse: “eles … conheceram que saí de TiJoão 17:8. 

Vemos que Jesus mesmo disse que saiu do Pai, ou seja, foi gerado dEle, saiu de dentro dEle, tal como Eva saiu de dentro (de uma costela) de Adão. 

Alguns pensam que Jesus nasceu como Filho apenas quando veio à terra e nasceu de Maria. Mas Jesus disse a Pilatos que Ele nasceu antes de vir a este mundo – leiamos em João 18:37:  

“Respondeu Jesus: Tu dizes que Sou rei. Eu para isso NASCI e para isso VIM AO MUNDO” João 18:37. 

Primeiro Ele diz que nasceu, depois diz que veio ao mundo. Assim, Ele mesmo mostra que nasceu lá no céu, ANTES de vir a este mundo. 

*(unigênito: único gerado por seus pais; Fonte: Dicionário Eletrônico Aurélio – Século XXI)

 

A cronologia de João 

Vimos até aqui que, quando o texto de João 1:1 afirma que “no princípio… o Verbo estava em Deus”, ele estava se referindo ao fato de que: “no princípio”, o Filho estava dentro de Deus – não existia como um ser separado de Deus. A palavra traduzida como “Verbo” neste verso é o original “logos” e significa “palavra”. No “princípio”, mencionado em João 1:1, Deus era o Verbo, ou a Palavra; o próprio Deus era o porta voz da Suas Palavras, visto não existir ainda um Filho que fosse para Ele um porta voz.  Este “princípio”, é o mesmo relatado em Provérbios. Falando de Jesus como a “Sabedoria”  ( I Cor. 1:24), o texto diz:

O Senhor me possuía no início de sua obra, antes de suas obras mais antigas. Desde a eternidade fui estabelecida, desde o princípio, antes do começo da terra…. Ainda Ele não tinha feito a terra, nem as amplidões, nem sequer o princípio do pó do mundo.” Provérbios 8: 22, 23 e 26. 

O termo “Me possuía” do texto acima, refere-se ao fato de que o Filho estava em Deus. Provérbios diz que isso foi desde o “princípio”, antes de Deus fazer mesmo o princípio do pó do mundo. O texto ainda declara que Jesus nasceu antes que Deus fizesse o princípio do pó do mundo: 

antes de haver outeiros, eu nasci. Ainda ele não tinha feito a terra, nem as amplidões, nem sequer o princípio do pó do mundo.” Provérbios 8:25, 26.

Na continuação do capítulo 1 de João, o apóstolo volta a se referir à palavra “princípio”, mas agora associando-a a uma nova condição do Filho – não mais “em” Deus, mas “com Deus”: 

“Ele estava no princípio com Deus” João 1:2. 

Que “princípio” é este ao qual o verso se refere, no qual Jesus estava já “com” Deus? O próximo verso nos ajuda a entender: 

“todas as coisas foram feitas por intermédio dEle” João 1:3. 

O texto acima nos leva para o relato da criação, quando Deus criou a terra. A palavra de Deus diz que todas as coisas foram criadas por meio de Cristo: 

nEle foram criadas todas as coisas, nos céus e sobre a terra, as visíveis e as invisíveis… Tudo foi criado por meio dEle Colossenses 1: 16. 

E o livro de Gênesis nos indica “quando” foram criadas todas as coisas: 

“No princípio, criou Deus os céus e a terra” Gênesis 1:1. 

Este “princípio”, relatado em Gênesis, é o “princípio” no qual Cristo estava “com” Deus, pois já vimos que as coisas que foram criadas o foram por meio de Cristo. Mas o texto de Gênesis diz: “no princípio, criou Deus”. Temos então que a Bíblia diz: “criou Deus”, e também, falando de Cristo: “tudo foi criado por meio dEle”. Concluímos portanto que Deus criou todas as coisas por meio de Jesus. Deus criou tudo por meio dEle.  Se Deus criou e fez todas as coisas por meio de Cristo, Ele, o Filho, estava com Deus durante a criação. E João 1:2 descreve este tempo como o “princípio”: 

“Ele estava no princípio com Deus. Todas as coisas foram feitas por intermédio dEle” João 1:2, 3. 

Vemos, portanto, que o “princípio” de João 1:2 denota uma ocasião diferente do princípio de João 1:1. No “princípio” de João 1:1, o Filho, o Verbo, estava “em” Deus. Já no “princípio” relatado em João 1:2, estava “com” Deus. Quando estava “em” Deus, ainda não tinha nascido; todavia, quando estava “com” Deus, já havia nascido e possuía uma existência como uma pessoa distinta da pessoa de Deus – o Filho de Deus. Explicando de outra forma: 

“No princípio era o Verbo, e o Verbo estava em Deus, e Deus era o Verbo. Ele estava no princípio com Deus”. João 1:1, 2. 

Quando a Bíblia dá ênfase em algo, repetindo a palavra, ou até mesmo a frase, é porque o Senhor quer nos chamar a atenção para algo importante. Note que o verso 2 é praticamente uma repetição do verso 1: 

verso 1: “o Verbo estava em Deus

verso 2: “o Verbo estava com Deus” 

Por que isso ocorre? O tempo denotado no verso 1 situa o Filho de Deus dentro do Pai, ou seja, quando Ele não tinha ainda sido gerado, enquanto o verso 2 já nos fala de quando o Filho já existe, quando já foi gerado (já nasceu). Ele está junto “com” o Pai. Após ter sido gerado, participou com o Pai na criação de todas as coisas. Como? “Tudo foi criado por meio dEle” Colossenses 1:16. Foi por meio dEle que “criou Deus” (Gen. 1:1) todas as coisas.

 

Subsistia na forma de Deus 

Porque os atributos invisíveis de Deus, assim o Seu eterno poder, como também a Sua própria divindade, claramente se reconhecem, desde o princípio do mundo, sendo percebidos por meio das coisas que foram criadas.” Romanos 1:20. 

O verso acima nos mostra que mesmo a Divindade pode ser entendida por meio das coisas que foram criadas. Assim, para entender melhor a relação entre o Pai e o Filho, Jesus, a Bíblia nos convida a analisarmos a relação de Pai e Filho existente por meio das obras criadas. Nada melhor, portanto, que analisarmos a relação entre os pais e filhos humanos, uma vez que a raça humana é a obra prima da criação de Deus. Vamos fazer uso deste comparativo daqui por diante para podermos entender melhor a natureza e caráter da pessoa do Filho de Deus. 

Sabemos que um filho literal humano tem um corpo da mesma natureza de seu pai. Os pais são feitos de carne e osso, e os filhos humanos nascem assim também. Usando o comparativo proposto em Romanos 1:20, que lemos acima, podemos ter a certeza de que, do mesmo modo que um filhos humanos tem um corpo de mesma natureza que o de seu pai (carne e osso), o Filho divino nasceu com um corpo de mesmo da natureza que a de Seu Pai. E encontramos esta verdade revelada na Palavra de Deus:

Cristo Jesus, pois Ele, subsistindo em forma de Deus, não julgou como usurpação o ser igual a Deus” Filipenses 2:5, 6. 

A palavra “forma”do texto acima, é utilizada para expressar o fato de que Jesus Cristo, quando estava no céu, tinha a mesma forma física que tem Deus, Seu Pai. De que substância era constituído Seu corpo, não sabemos nem nos é dado saber hoje; mas a Bíblia esclarece que o corpo de ambos, Pai e Filho, era semelhante antes de Cristo vir à terra. 

 

Anterior ao Filho 

Sabemos que todo o filho de um pai humano é mais novo que seu pai. Como o homem, a obra criada, revela a Deus, sabemos que Jesus Cristo, o Filho, também é posterior a Deus, Seu Pai. E vemos que é isto o que a Bíblia revela. Note o que ela diz sobre a “idade” do Pai e do Filho: 

Sobre o Pai: 

Antes que os montes nascessem e se formassem a terra e o mundo, de eternidade a eternidade, tu és Deus.” Salmos 90:2. 

O texto acima mostra que, de eternidade a eternidade, Deus já existia, ou seja, nunca houve uma ocasião na qual Deus não tenha existido. 

Sobre o Filho: 

E tu, Belém-Efrata, pequena demais para figurar como grupo de milhares de Judá, de ti me sairá o que há de reinar em Israel, e cujas origens são desde os tempos antigos, desde os dias da eternidade.” Miquéias 5:2. 

O texto acima é uma profecia acerca de Jesus. Ele diz que Jesus teve origem nos dias da eternidade. Note a diferença apresentada entre o Pai e o Filho: 

– Pai: “de eternidade a eternidade, Tu és Deus” Salmos 90:2; 

– Filho: “cujas origens são … desde os dias da eternidade” Miquéias 5:2. 

Vemos que o Pai é anterior ao Filho. Diferentemente do Pai, que sempre existiu, o Filho teve origem na eternidade; foi gerado. 

 

Mesmo caráter de Seu Pai 

Um filho humano herda traços de caráter de seu pai. Vemos, por exemplo, muitos casos de filhos que são impulsivos porque seus pais o eram. Herdam tendências de caráter de seus pais. Embora possa haver imperfeição na transmissão de traços de caráter de pais humanos para seus filhos, posto que os homens são imperfeitos, não podemos crer que há imperfeição na transmissão de traços de caráter de um Deus para Seu Filho. Isto porque Deus é perfeito. Ao lermos o texto de Hebreus, vemos que esta crença se confirma: 

Havendo Deus, outrora, falado … nestes últimos dias, nos falou pelo FilhoEle, que é o resplendor da glória e a expressão exata do Seu Ser Hebreus 1:1-3. 

O que o termo “expressão exata”, utilizado no texto acima, significa? A palavra “exata” significa “perfeitamente fiel”. Entendemos então que ao dizer que o Filho é a expressão exata do “Ser” do Pai, a Palavra de Deus nos quer fazer entender que o Filho é a expressão, ou reprodução, perfeitamente fiel da pessoa (ou do Ser) do Pai.  Isto inclui tanto a forma física quanto o caráter. O caráter do Filho era igual ao caráter do Pai. Á lei de Deus é a expressão do Seu caráter; é também portando a expressão do caráter do Filho. O caráter do Filho é igual à lei de Deus, da mesma altura e santidade que ela; por isso o Filho podia ofertar a Si mesmo para pagar a pena da lei transgredida. Ao sacrificar-Se o Filho na cruz pelos homens pecadores, o universo todo poderia testificar que, pelo Seu caráter, foi pago um preço à altura do que a lei exigia, e Deus poderia então, sem fazer agravo à Sua lei, perdoar e redimir o pecador.

 

Um Filho herdeiro 

Todo filho humano é, por direito de nascimento, herdeiro das propriedades de Seu Pai. Deus é o dono e criador de todas as coisas, e a Bíblia declara que Deus constituiu a Jesus, Seu Filho herdeiro de todas as coisas: 

“Deus … nestes últimos dias, nos falou pelo Filho, a quem constituiu herdeiro de todas as coisas Hebreus 1:2. 

O Pai constituiu a Jesus como Filho literal, herdeiro de todas as coisas. Se Jesus fosse igual e co-eterno com o Pai, como diz a doutrina da trindade, não haveria necessidade de que Deus O constituísse herdeiro de todas as coisas, pois Ele já seria tão dono quanto o Pai. 

 

Herdeiro do nome de Seu Pai 

Um filho que nasça nesta terra, herda o nome de seu pai terreno. Por exemplo, é natural pensarmos que o senhor Silva Júnior tem este nome por ser filho do senhor Silva, o pai dele. Como é um princípio bíblico que a ordem natural das coisas criadas revela até mesmo a Divindade (Rom. 1:20), podemos saber que o mesmo se deve dar com relação a Jesus Cristo e Deus, Seu Pai. Poderíamos comprovar isto na Bíblia? Vejamos: 

Deus, outrora, falado, muitas vezes e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas, nestes últimos dias, nos falou pelo Filho, a quem constituiu herdeiro de todas as coisas … tendo-se tornado tão superior aos anjos quanto herdou mais excelente nome do que eles” Hebreus 1:1, 2, 4. 

O texto acima diz que Deus fez de Jesus herdeiro de todas as coisas, e como prova de que isso inclui o Seu próprio nome, afirma que Jesus, Seu Filho, “herdou mais excelente nome” que os anjos. Um outro texto apresenta ainda de forma mais clara o nome que Jesus herdou. Leiamos nele as palavras que Deus disse para Moisés: 

Então, falou Deus todas estas palavras: … Eis que Eu envio um Anjo adiante de ti, para que te guarde pelo caminho e te leve ao lugar que tenho preparado. Guarda-te diante dEle, e ouve a Sua voz, e não te rebeles contra Ele, porque não perdoará a vossa transgressão; pois nEle está o Meu nome.” Êxodo 20:1; 23:20, 21. 

Referindo-se a Jesus como Seu Anjo, o Pai diz a Moisés: “nEle está o Meu nome”. Deus mesmo disse que Jesus herdou Seu nome: “Deus”. Isso não faz de Jesus um Deus. Ter o nome do Pai não significa ser o pai, concorda? Eu não sou meu pai; meu pai é uma pessoa e eu outra, mas herdo o nome dele. O mesmo ocorre com Jesus. O fato de que Jesus herdou o nome de Seu Pai explica vários textos na Escritura que, se não forem lidos com atenção, podem induzir o leitor a pensar que a Bíblia apresenta a Jesus como “Deus”. Apresentamo-los aqui: 

Porque um menino nos nasceu, um Filho se nos deu; o governo está sobre os Seus ombros; e o Seu nome será: Maravilhoso Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz” Isaías 9:6. 

O texto acima fala a respeito de Jesus. Note que ele diz que o “Seu nome” será “Deus forte”. Não diz que “Ele será” Deus Forte. O texto prova que Jesus, como Filho, herdou o nome de Seu Pai, e não que Ele seja um Deus. 

Eis que a virgem conceberá e dará à luz um filho, e ele será chamado pelo nome de Emanuel (que quer dizer: Deus conosco).” Mateus 1:23. 

O texto acima também fala de Jesus. Note que diz “Ele será chamado pelo NOME de Emanuel (Deus Conosco)”. Não diz que Ele será Deus conosco, mas sim que Ele será chamado pelo nome que significa Deus conosco. O caso é o mesmo do de Isaías 9:6, que analisamos. 

 

Na terra – Filho do Homem 

A Bíblia diz que Deus formou um corpo no qual Jesus iria nascer:

Sacrifício e oferta não quiseste; antes, Hebreus 10:5. 

O espiritismo prega que uma entidade pode assumir um corpo. Não cremos nisso, pois a Bíblia não diz assim. Assim, não se pode entender, pelo verso acima, que Jesus, com o corpo de Deus, como o que tinha no céu, entrou dentro de um corpo humano para que existissem dois corpos dentro de um só – um ativo (o humano), e um inativo (o divino), que as vezes transparecia, como na transfiguração. Este conceito, embora muitos não o saibam, é espírita. A maioria das pessoas crê nisso ou em algo muito semelhante, mas não é o que a Palavra de Deus revela. Segundo a revelação bíblica, o fato de Deus ter formado um corpo para Jesus no útero de Maria, mostra que Jesus nasceu como homem de fato. O corpo divino, o qual Ele possuía no céu, antes de vir à terra, foi aniquilado – deixou de existir. É isto o que a Palavra de Deus nos diz em Filipenses – veja: 

De sorte que haja em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus, que, sendo em forma de Deus, não teve por usurpação ser igual a Deus. Mas aniquilou-Se a Si mesmo, tomando a forma de servo, fazendo-se semelhante aos homens” Filipenses 2: 5-7 (Bíblia Versão Almeida Revista e Corrigida). 

A palavra “aniquilar” significa “destruir, reduzir a nada”. O termo “aniquilou-Se a Si mesmo” do verso acima significa, portanto, que o corpo de Jesus, de mesma natureza que o Pai, foi destruído, reduzido a nada. Deus, o Pai, deixou de ter um Filho com um corpo como o Seu para sempre, pois tal corpo foi destruído, reduzido a nada. Jesus era o único Filho de Deus. Portanto, nunca mais o Pai teria um Filho cujo corpo fosse de natureza semelhante ao Seu, por toda a eternidade. A passagem de Filipenses mostra que Jesus tomou a forma de “servo, fazendo-Se semelhante aos homens”. A partir da encarnação, Jesus teria somente um corpo humano e seria um ser humano, no sentido literal da palavra. O Pai amaria Seu Filho, não mais como alguém à semelhança da natureza de Seu corpo físico, mas como um Filho Seu por origem (posto que nasceu do Pai) com um corpo humano. Veria a raça humana na pessoa de Seu Filho. Isto explica o fato de Jesus ser, por tantas vezes, enquanto estava na terra, chamado de Filho de Deus e Filho do Homem. Citamos aqui apenas duas passagens como exemplos:

Então, aproximaram-se os que estavam no barco e adoraram-No, dizendo: És verdadeiramente o Filho de Deus.” Mateus 14:33. (Bíblia Versão Revista e Corrigida).

Disse-lhes Jesus: Tu o disseste; digo-vos, porém, que vereis em breve o Filho do Homem assentado à direita do Todo-poderoso e vindo sobre as nuvens do céu.” Mateus 26:64. 

Por origem, Jesus sempre será o Filho de Deus, pois foi gerado de Seu Pai; nasceu dEle, quando pela primeira vez veio à existência; mas, pela encarnação, passou a ser o “Filho do Homem”, tendo um corpo humano. Não podia voltar a ter o corpo de Filho de Deus, pois a Palavra de Deus nos declara em Filipenses 2:6 que esse foi destruído (aniquilado). Note que, no verso de Mat. 26:64, que acabamos de ler, Jesus diz que vai voltar pela segunda vez à terra como Filho do Homem:

vereis em breve o Filho do Homem assentado à direita do Todo-poderoso e vindo sobre as nuvens do céu.” Mateus 26:64. (Bíblia Versão revista e Corrigida). 

Vemos que Jesus deixou claro que, até mesmo quando voltasse pela segunda vez à terra, Ele ainda seria o Filho do Homem.

 

Como homem, nada podia fazer por Si mesmo 

Até aqui temos como claro que Jesus tinha um corpo humano como o nosso quando esteve na terra. Mas teria Ele algum poder sobrenatural que não temos? Seria Ele uma espécie de “Deus – homem” com poderes especiais? Vejamos o que Jesus disse sobre Si mesmo quando estava na Terra: 

Eu nada posso fazer de Mim mesmo” João 5:30. 

Ele mesmo disse que não podia fazer nada de Si mesmo. Assim como nós, que não podemos fazer nada de nós mesmos, Ele também o era. Como então Jesus operava Seus milagres e curava as pessoas? Leiamos a passagem de Atos: 

Varões israelitas, atendei a estas palavras: Jesus, o Nazareno, varão aprovado por Deus diante de vós com milagres, prodígios e sinais, os quais o próprio Deus realizou por intermédio dEle entre vós, como vós mesmos sabeis” Atos 2:22. 

E Jesus disse: 

As palavras que eu vos digo não as digo por Mim mesmo; o Pai, que permanece em Mim, faz as Suas obras.” João 14:10. 

Vemos, pelos versos acima, que era Deus, o Pai de Jesus, que realizava os milagres por intermédio dEle. Não podemos curar as pessoas e fazer milagres por nós mesmos. Jesus também não podia. Vemos, portanto, que Jesus era um ser humano tão limitado fisicamente como nós, quando esteve aqui na terra; e se Ele pode fazer os milagres e as obras de misericórdia pelo poder de Deus que recebia pela fé; se Ele foi perfeitamente obediente à lei por meio do poder do Pai, que O fortaleceu, quando viveu na terra; nós também podemos guardar todos os dez mandamentos como Ele o fez, recebendo, pela fé nEle, o poder de Deus. Pela fé em Jesus, podemos ser perfeitos assim como Ele o foi.

 

Após a ressurreição – homem – de carne e ossos 

Quando Jesus ressuscitou, Ele continuou sendo homem, tendo um corpo humano, ou passou a subsistir com algum outro corpo? Vejamos o que Ele mesmo disse quando apareceu aos discípulos, após Sua ressurreição: 

Falavam ainda estas coisas quando Jesus apareceu no meio deles e lhes disse: Paz seja convosco! Eles, porém, surpresos e atemorizados, acreditavam estarem vendo um espírito. Mas ele lhes disse: Por que estais perturbados? E por que sobem dúvidas ao vosso coração? Vede as minhas mãos e os meus pés, que sou Eu mesmo; apalpai-Me e verificai, porque um espírito não tem carne nem ossos, como vedes que Eu tenho. Dizendo isto, mostrou-lhes as mãos e os pés.” Lucas 24:36-40. 

Jesus mesmo disse que era um homem de carne e osso quando apareceu aos discípulos após haver ressuscitado. E na carta a Timóteo, Paulo declara que Jesus é um homem hoje no céu, trabalhando como nosso Mediador: 

“Porquanto há um só Deus e um só Mediador entre Deus e os homens, Cristo Jesus, homem.” I Timóteo 2:5.

Portanto, entre Deus, nosso Pai celestial, e nós, Seus filhos, há um Mediador, um Homem, Jesus Cristo. Ele é homem, segundo a Palavra, e como homem intercede por nós hoje no céu. O apóstolo Paulo esclarece que Ele não se envergonha de nos chamar a nós – homens  – de irmãos – veja em Hebreus 2:11 e 17: 

“Ele não Se envergonha de lhes chamar IRMÃOS… 

Convinha que, em todas as coisas, Se tornasse semelhante aos IRMÃOS, para ser misericordioso e fiel Sumo Sacerdote nas coisas referentes a Deus.” Hebreus 2:11, 17. 

Portanto, temos hoje um irmão da nossa raça intercedendo junto a Deus a nosso favor – o homem Jesus Cristo.

 

NEle habita toda a plenitude da divindade 

Cristo; porquanto, nEle, habita, corporalmente, toda a plenitude da Divindade” Colossenses 2:8, 9. 

O texto acima foi escrito por Paulo após Jesus ter ressuscitado. Ele é usado por muitos como prova de que Jesus seria hoje um Deus, lá no céu, juntamente com o Pai. Isto porque o texto diz que em Cristo habita “toda a plenitude da Divindade”. Mas será que é isso que Deus deseja que entendamos? Vimos até aqui que a Bíblia revela que Jesus é hoje um homem no céu. O texto acima não pode estar contradizendo o que a Palavra de Deus já revelou. Deus não é Deus de confusão. Só poderemos entender, a partir do texto acima, que Jesus é Deus, desrespeitando a própria revelação da Bíblia dada em outras passagens. Vemos, portanto, que o significado do texto acima é outro. Qual é o entendimento dessa passagem que se harmoniza com a palavra de Deus? Por comparação com outra passagem, podemos chegar até ele. A Bíblia diz que nós podemos ser cheios com a plenitude de Deus: 

a fim de poderdes compreender, com todos os santos, qual é a largura, e o comprimento, e a altura, e a profundidade e conhecer o amor de Cristo, que excede todo entendimento, para que sejais tomados de toda a plenitude de Deus.” Efésios 3:18, 19.

De acordo com o verso acima, nós, seres humanos, podemos ser cheios de “toda” a plenitude de Deus. A palavra “toda” é o feminino de “todo”, que significa completo, inteiro total, que não deixa nada de fora. O verso quer então dizer que podemos ser tomados da completa plenitude de Deus. Todavia, estamos conscientes de que, ainda de que esta promessa da Escritura se cumpra em nossas vidas, não nos tornaremos Deus por isso. Continuaremos homens, mas o que ganharemos é que o CARÁTER, ou a SANTIDADE de Deus se manifestará plenamente em nossas vidas. O texto acima expressa o desejo de Deus de que sejamos tomados, possuídos, de toda a Sua SANTIDADE. Isso é ter toda a plenitude de Deus. 

Voltemos agora ao exemplo de Jesus. O texto diz que nEle habita toda a plenitude da Divindade. Sabemos, pela revelação de outras passagens da Bíblia, que Ele é hoje um homem de carne e osso, como nós o somos. Sabemos também que Deus constitui a Jesus como nosso exemplo. Se o desejo de Deus para nós é que sejamos tomados da plenitude de Sua SANTIDADE, é porque certamente Jesus foi tomado da plenitude da Sua SANTIDADE. Deus não pede nada para nós que Jesus não tenha alcançado. Aqui chegamos à forma pela qual podemos entender o texto de Colossenses 2:8, 9, sem fazer violência às outras passagens da Bíblia que afirmam ser Jesus um homem. Ao dizer que em Jesus habita a plenitude da Divindade, Deus está se referindo ao fato de que, em Jesus, habita a plenitude da Sua SANTIDADE. Se analisarmos com atenção o contexto de Colossenses 2:8 e 9, vemos que era relativamente à santidade de Cristo que Paulo estava se referindo, não ao fato de provar ou não ser Ele um “Deus”: 

Ora, como recebestes Cristo Jesus, o Senhor, assim andai nEle, nEle radicados, e edificados, e confirmados na fé, tal como fostes instruídos, crescendo em ações de graças. Cuidado que ninguém vos venha a enredar com sua filosofia e vãs sutilezas, conforme a tradição dos homens, conforme os rudimentos do mundo e não segundo Cristo; porquanto, nEle, habita, corporalmente, toda a plenitude da Divindade.” Colossenses 2:6-9. 

Note que a exortação de Paulo aos colossenses no verso acima é com o objetivo de que eles sigam o exemplo de Jesus, tanto que ele diz: 

como recebestes Cristo Jesus, o Senhor, assim andai nEle … tal como fostes instruídos” Colossenses 2:6, 7. 

Na seqüência do texto, Paulo exorta-os a não se desviarem do modelo de Cristo: 

“Cuidado que ninguém vos venha a enredar com sua filosofia e vãs sutilezas … conforme os rudimentos do mundo e não segundo Cristo Colossenses 2:8. 

Paulo então, apresenta a razão pela qual eles não devem desviar-se do exemplo de Cristo – porque é nEle em quem habita a plenitude da SANTIDADE (significado da palavra Divindade no texto): 

“porquanto, nEle, habita, corporalmente, toda a plenitude da Divindade.” Colossenses 2:9. 

Uma vez que Jesus é o nosso modelo de SANTIDADE, só podemos ter o caráter moldado segundo o padrão de santidade permanecendo nEle. É isso o que Paulo diz em outras palavras na seqüência do texto, ao esclarecer que é permanecendo nEle que somos perfeitos: 

“E estais perfeitos nEle.” Colossenses 2:10. (Bíblia Versão Revista e Corrigida). 

Veja que a palavra “Divindade” é atribuída a Cristo como algo que devemos alcançar. A Escritura concorda com este entendimento: 

nos têm sido doadas as suas preciosas e mui grandes promessas, para que por elas vos torneis co-participantes da natureza divina, livrando-vos da corrupção das paixões que há no mundoII Pedro 1:4.

Paulo escreveu, em Colossenses, que não devemos nos desviar de Cristo porque nEle habita a plenitude da Divindade, e se permanecemos em Cristo somos aperfeiçoados. Se a palavra “Divindade” fosse usada com o objetivo de mostrar ser Jesus – Deus, Paulo estaria apresentando para o homem um ideal inalcançável, pois por mais que o homem permaneça em Cristo nunca se tornará um “Deus”. A maior mentira que já foi contada para um ser humano foi a da serpente para Eva, de que ela podia ser igual a Deus (ver Gênesis 3:5). Isto é impossível.

 

– O batismo 

O batismo em Mateus 28:19 

“Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo” 

Embora este texto, da forma como se apresenta nas Bíblias de nossos dias, não prove que haja mais de um Deus, o Pai (posto que este não é o tema tratado no texto), é por muitas pessoas utilizado como evidência de que devamos batizar em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Segundo lemos no texto, Jesus estaria ordenando aos discípulos que fizessem discípulos e os batizassem em nome de três pessoas. Todavia, ao lermos na palavra inspirada como os discípulos cumpriram a ordem de Jesus, ocorre algo intrigante: 

“Respondeu-lhes Pedro: Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo  para remissão dos vossos pecados, e recebereis o dom do Espírito Santo.” Atos 2:38.

Pedro pregou o arrependimento e conclamou aos judeus para que fossem batizados, não em nome de três pessoas, como supostamente ensinaria o texto de Mateus 28:19, mas “em nome de Jesus”. De onde tirou Pedro essa ordem para pregar o arrependimento e batismo em nome de Jesus? Vemos que Jesus ordenou pregar o arrependimento em Seu nome, no livro de Lucas: 

Jesus… lhes abriu o entendimento para compreenderem as Escrituras; e lhes disse: Assim está escrito que o Cristo havia de padecer e ressuscitar dentre os mortos no terceiro dia e que em Seu nome se pregasse arrependimento para remissão de pecados a todas as nações, começando de Jerusalém.” Lucas 24:44-47.

Pedro pregou o arrependimento em nome de Jesus, conforme o texto de Lucas, acima. E apelou para os crentes para que se batizassem em nome de Jesus, o que não está em harmonia com a ordem que aparece nas versões atuais de Mateus 28:19. Abençoou Deus tal apelo de Pedro? A Escritura relata que sim: 

“ …Então, os que lhe aceitaram a palavra foram batizados, havendo um acréscimo naquele dia de quase três mil pessoas. … Em cada alma havia temor; e muitos prodígios e sinais eram feitos por intermédio dos apóstolos.” Atos 2: 41, 43. 

E esse não foi o único batismo feito em nome de Jesus relatado na Bíblia (leia também Atos 8:16; 19:1-5). Sabemos, pela Bíblia, que Deus nunca abençoa os esforços do homem quando ele está em desobediência aberta. Como pode ser então que, ordenando Jesus que se batizasse em nome de três pessoas em Mateus 28:19, Pedro pregasse o batismo somente em nome de Jesus, e mesmo assim Deus abençoasse sua obra? A resposta é: Deus não o faria, a menos que Pedro estivesse cumprindo exatamente a ordem que Cristo lhe deu. Sendo isso verdade, o original de Mateus 28:19 nunca poderia ser o que conhecemos nas Bíblias atuais. A tradução de Mateus 28:19 deve apresentar algum erro. Fomos buscar provas de que as coisas são realmente assim, e comprovamos: 

“De acordo com o editor do Christadelphian Monastshefte, Eusébio, entre seus muitos outros escritos, compilou uma coleção de textos corrompidos das Santas escrituras, e ‘a mais séria de todas as falsificações denunciadas por ele é sem dúvida a tradicional passagem de Mateus 28:19.’…

De acordo com Conybeare: 

‘Eusébio cita este texto (Mat. 28:19) vez traz vez em obras escritas entre os anos 300 e 336, nominadamente em seus longos comentários sobre Salmos, Isaías, sua Demonstratio Evangélica, sua Theophany… em sua famosa história da Igreja… Eu tenho, após uma pesquisa moderada nestas obras de Eusébio, encontrado dezoito citações de Mateus 28:19, e sempre da seguinte forma 

‘Ide e fazei discípulos de todas as nações em meu nome, ensinando-os a observar todas as coisas, tudo o que Eu vos ordenei’ 

… E Eusébio não se contentou meramente em citar o verso nesta forma, mas ele mais de uma vez comenta sobre ele em uma forma tal que parece quere mostrar quanto ele fixou-se pelas palavras ‘em meu nome’. Assim, em sua Demonstratio Evangélica, ele escreve como segue (col. 240, p. 136): 

‘Mas ele não os ordenou ‘fazer discípulos de todas as nações’ simplesmente e sem qualificação, mas com a adição essencial ‘em meu nome’. Pois tão grande era a virtude vinculada a este apelo que o Apóstolo diz, ‘Deus lhe deu um nome acima de todo nome, para que ao nome de Jesus se dobre todo o joelho no céu, e na terra, e sob a terra’. Estava certo, portanto, que ele deveria enfatizar a virtude do poder residente em seu nome, mas escondido de muitos, e por isso diz aos seus Apóstolos, ‘Ide, e fazei discípulos de todas as nações em meu nome’.” (grifos nossos) (Fonte: A Closer Look at Matthew 28:19, A Study In Textual Criticism, Edited By Mark Kennicott, 2000, págs. 13, 14) 

O texto acima mostra que Eusébio, em seus escritos, citava textos da versão do evangelho de Mateus que tinha à sua disposição, e os transcrevia como: “batizando-os em Meu nome”, em nome de Jesus. Segundo a fonte acima, Eusébio de Cesaréia denunciou a adulteração do texto de Mateus 28:19. Segundo ele, o texto original não mandava batizar no nome de três pessoas. Quem foi Eusébio de Cesaréia? Que crédito podemos dar às suas afirmações sobre Mateus 28:19? Vejamos o que diz uma publicação de 1902 sobre ele: 

“F. C. Conybeare, no Hibbert Journal, Outubro, 1902

Dos autores dos testemunhais escritos do texto do Novo Testamento segundo se encontravam nos Manuscritos Gregos de 300-340 D.C., nenhum é tão importante quanto Eusébio de Cesaréia, pois ele viveu na maior Biblioteca Cristã daquela época, aquela que Origen e Pamphilius, nominadamente, coletaram. Não é exagero dizer que a partir desta simples coleção de manuscritos em Cesaréia deriva a maior parte da literatura ante-Nicênica remanescente. Nesta Biblioteca, Eusébio deve ter manuseado habitualmente códigos dos evangelhos duzentos anos mais antigos que o mais antigo dos grandes manuscritos que temos agora em nossas bibliotecas’.”. (grifos nossos) (Fonte: A Closer Look at Matthew 28:19, A Study In Textual Criticism, Edited By Mark Kennicott, 2000, pág. 13). 

“No seu ‘Textual Criticism of the New Testament’ Conybeare escreve: 

‘É claro, portanto, que dos manuscritos os quais Eusébio herdou do seu predecessor, Pamphilius, em Cesárea, na Palestina, alguns ao final preservaram a passagem original, nos quais não havia nenhuma menção do batismo em nome do Pai, Filho e Espírito Santo. Foi conjecturado por Dr. Davidson, Dr. Martineau, pelo Decano de Westminster, e pelo Prof. Harnack (para mencionar alguns nomes dentre muitos) que o texto recebido aqui não poderia conter as próprias palavras de Jesus; isso muito antes de ninguém, exceto Dr. Burgon, que manteve a descoberta para si, ter notificado a forma do texto apresentada por Eusébio’.” (grifos nossos) (Fonte: A Closer Look at Matthew 28:19, A Study In Textual Criticism, Edited By Mark Kennicott, 2000, pág. 15). 

Segundo a fonte acima, Eusébio é o que estava em melhores condições de acessar os originais dos manuscritos do novo testamento, pois tinha a disposição manuscritos dos evangelhos datados quase da época dos próprios apóstolos, uma época na qual a igreja inda preservava sua pureza. E ele citava freqüentemente que a ordem contida em Mateus 28:19 era: “batizando-os em Meu nome”. Achamos conveniente também colocar mais algumas referências sobre ele, a fim de mostrar quanta credibilidade pode-se atribuir à sua obra: 

 “Mosheim, em uma nota editorial de rodapé

‘Eusebius Pamphili, Bispo de Cesaréia na Palestina, um homem de vasto conhecimento e erudição, e que adquiriu fama imortal por seus trabalhos em história eclesiástica, e em outros ramos do conhecimento teológico. … até cerca de 40 anos de idade ele viveu em grande intimidade com o mártir Pamphilius, um homem instruído e devoto de Cesaréia, e fundador de uma extensa biblioteca ali, da qual Eusébio derivou seu vasto conhecimento’. 

Dr. Wescott, em ‘General Survey’, pag. 108

‘Eusebio, a cujo zelo nós devemos a maior parte da história conhecida do Novo Testamento’. 

Peake Bible Commentary, pág. 596

‘O mais importante escritor no primeiro quarto do quarto século foi Eusébio de Cesaréira… Eusébio era um homem de pouca originalidade ou juízo independente. Mas ele era grandemente versado na literatura Grega Cristã do segundo e terceiro séculos, parte da qual está irreparavelmente perdida, e as gerações subseqüentes têm um grande débito para com sua honesta, e algumas vezes não pouco prejudicada, erudição’… 

Mosheim, novamente, em uma nota editorial

‘Eusébio  era um historiador imparcial, e teve acesso aos melhores auxílios para compor uma correta história, segundo sua época permitia’.” (Fonte: A Closer Look at Matthew 28:19, A Study In Textual Criticism, Edited By Mark Kennicott, 2000, págs. 12 e 13). 

O trabalho de Eusébio nos mostra que, segundo os textos originais, a ordem de Jesus foi para que batizassem em Seu nome. Não há um relato sequer na Bíblia de algum batismo realizado em nome de Pai, Filho e Espírito Santo, segundo o texto das traduções modernas de Mateus 28:19. Todos são feitos em nome de Jesus Cristo. Vemos, portanto, que Mateus 28:19 apresenta um problema de tradução, pois seu texto, da forma com lemos nas Bíblias modernas, não se harmoniza com o todo das Escrituras. Algumas pessoas, para defender a validade do texto de Mat. 28:19 da forma como se apresenta nas Bíblias modernas, dizem que tudo era feito em nome de Jesus naquela época porque então o nome de Jesus era o objeto de discussão entre os judeus e os apóstolos. Todavia, quando analisamos o texto de Atos 19, este argumento cai por terra: 

“Paulo, … chegou a Éfeso e, achando ali alguns discípulos, disse-lhes: Recebestes vós já o Espírito Santo quando crestes? E eles disseram-lhe: Nós nem ainda ouvimos que haja Espírito Santo. Perguntou-lhes, então: Em que sois batizados, então? E eles disseram: No batismo de João. Mas Paulo disse: Certamente João batizou com o batismo do arrependimento, dizendo ao povo que cresse no que após ele havia de vir, isto é, em Jesus Cristo. E os que ouviram foram batizados em nome do Senhor Jesus. E, impondo-lhes Paulo as mãos, veio sobre eles o Espírito Santo; e falavam línguas e profetizavam.” Atos 19:1-6. (Bíblia Versão Almeida Revista e Atualizada) 

A passagem acima relata o caso de alguns crentes em Éfeso que haviam recebido o batismo de João, o batista. Eles disseram a Paulo: “nem ainda ouvimos que haja Espírito Santo”. É evidente, portanto, que não foram batizados em nome do Pai, Filho e Espírito Santo como é ordenado em Mat. 28:19. Se tivessem sido batizados em nome dos três, certamente teriam ouvido falar da existência do Espírito Santo. A passagem ainda relata que foi após estes crentes terem sido “batizados em nome do Senhor Jesus” que “veio sobre eles o Espírito Santo” e falavam em línguas e profetizavam. Vemos que o próprio céu reconhecia o batismo em nome de Jesus. Fica claro que os discípulos não batizavam na época em nome de Jesus por ser este o nome em disputa com os judeus, mas sim o faziam em obediência à ordem de Cristo. 

Os crentes Efésios haviam sido batizados em um batismo diferente (neste caso, o batismo de João), mas foi apenas após serem batizados em nome de Jesus que receberam o Espírito Santo. O céu não enviaria o Espírito Santo mediante o realizar-se um batismo diferente daquele que fora ordenado por Jesus. Vemos, portanto, que Jesus havia ordenado batizar em Seu nome, e o texto de Mat. 28:19, da forma como aparece nas Bíblias modernas, contém um erro de tradução, uma vez que não se harmoniza com diversas passagens das Escrituras contidas no livro de Atos. De fato, por pesquisar as Escrituras, vemos que Eusébio de Cesaréia não somente estava certo ao denunciar que o texto de Mat. 28:19 foi adulterado, como também na quanto a qual é o original desta passagem, que é harmônico com o todo das Escrituras: 

“Portanto, ide e fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em Meu nome …” Mateus 28:19. 

Perceba que não é necessário conhecer o idioma original, nem ter estudado teologia para perceber que o texto de Mat. 28:19 segundo as versões modernas está mal traduzido. Um estudo cuidadoso, com oração, comparando passagem com passagem, dos textos da Bíblia que temos em nosso próprio idioma nos leva à verdade, como a própria Escritura afirma: 

Porque é preceito sobre preceito, preceito e mais preceito; regra sobre regra, regra e mais regra; um pouco aqui, um pouco ali.” Isaías 28:10. 

Veja que não é necessário demonstrar pela arqueologia que a versão de Eusébio de Cesaréia apresentada acima é mais fidedigna do que as versões que apresentam o batismo em nome do Pai, Filho e Espírito Santo; a própria verdade apresentada nas passagens relacionadas com o tema mostra que, das duas versões, a de Eusébio (batizando-os em Meu nome) é a única que pode estar correta, pois não contradiz o testemunho das Escrituras. O mesmo se dá com o todo apresentado neste livro com relação ao único Deus, o Pai. Deus prometeu mostrar Suas verdades aos pequeninos que estudam com oração. E cada vez que uma verdade questionada, descrida e desprezada pela grande maioria dos teólogos e  líderes religiosos é descoberta pelos humildes seguidores de Cristo, cumprem-se as Palavras do Mestre:

“exclamou Jesus: Graças Te dou, ó Pai, Senhor do céu e da terra, que ocultaste estas coisas aos sábios e instruídos e as revelaste aos pequeninos.” Mateus 11:25.

Portanto, não nos preocupemos se nossos pastores, líderes de igreja, doutores em teologia e outros estudiosos e pregadores famosos da Bíblia não aceitam o testemunho das Escrituras. Não permitamos que a influência de nenhum destes homens, nem a de todos em conjunto, nos retire a pérola da verdade bíblica do coração, descoberta após estudo fervoroso com jejum e oração. Seja a Palavra de Deus nosso único guia de fé e prática, e não os ensinos dos homens. Que a Escritura se cumpra a nosso respeito: 

Está escrito nos profetas: E serão todos ensinados por Deus.” João 6:45. 

***** 

Que os missionários da cruz proclamem que há um só Deus, e um Mediador entre Deus e os homens, o qual é Jesus Cristo, o Filho do Infinito Deus. Isto precisa ser proclamado em cada igreja em nossa terra.” (Battle Creek, January 21, 1891) (Fonte: 1888 Materials, pág. 886). 

*****

 

– O que fazer agora? 

“E a qualquer que muito for dado, muito se lhe pedirá, e ao que muito se lhe confiou, muito mais se lhe pedirá.” Lucas 12:48. (RC) 

É possível que a mensagem apresentada nesse livro, apesar de ser uma verdade conhecida desde que a Bíblia foi escrita, seja nova para você. Toda verdade que aprendemos, uma vez crida, exige uma decisão, pois a Escritura diz: 

“Mas Deus, não tendo em conta os tempos da ignorância, anuncia agora a todos os homens, em todo lugar, que se arrependam, porquanto tem determinado um dia em que com justiça há de julgar o mundo” Atos 17:30, 31. (RC) 

Embora não leve em conta o tempo no qual estivemos na ignorância da verdade, agora que conhecemos pela Escritura que há um só Deus, o Pai, temos uma decisão a tomar. Aceitaremos a mensagem? Ou a rejeitaremos? Estaremos entre os fiéis ou os infiéis? Essa decisão é individual; e oramos para que você e todos os que lêem este livro possam estar entre os fiéis que aceitam e permanecem na verdade. 

O que espera Deus daqueles que aceitam esta mensagem e se decidem pelo único Deus, o Pai, em lugar do deus “trindade”? A troca de um “deus” não revelado na Bíblia (trindade) pelo verdadeiro Deus, representa o abandono da idolatria (adorar o deus falso) para a verdadeira adoração; o deixar de transgredir o primeiro mandamento para prestar obediência a ele. Para os que tomam essa decisão, Deus, nosso Pai de amor, aconselha: 

“Não vos prendais a um jugo desigual com os infiéis; porque que sociedade tem a justiça com a injustiça? E que comunhão tem a luz com as trevas? Ou que parte tem o fiel com o infiel?E que consenso tem o templo de Deus com os ídolos? Porque vós sois o templo do Deus vivente, como Deus disse: Neles habitarei e entre eles andarei; e Eu serei o seu Deus, e eles serão o Meu povo. Pelo que saí do meio deles, e apartai-vos, diz o Senhor; e não toqueis nada imundo, e Eu vos receberei; e Eu serei para vós Pai, e vós sereis para Mim filhos e filhas, diz o Senhor Todo-poderoso.” II Coríntios 6:14-17. (RC) 

Muitos não aceitarão esta mensagem, enquanto poucos a receberão; mas é desígnio do Senhor que haja separação marcada entre os obedientes e os desobedientes. “Apartai-vose Eu vos receberei;… e vós sereis para Mim filhos e filhas, diz o Senhor Todo-poderoso”. Não podemos tomar parte em cultos onde um deus falso é invocado (trindade), pois assim o fazendo, estaremos compactuando, concordando, por nossa presença, com um culto idolátrico. O Senhor não se agradaria disso. A separação, é o passo recomendado por Ele a fim de que sejamos reconhecidos como Seus filhos. Onde congregaremos? Podemos congregar com os crentes no único Deus em nossas casas, como o faziam aqueles que aceitavam a mensagem pregada pelos apóstolos: 

“Paulo… ao amado Filemon… e à irmã Afia, e a Arquipo, nosso companheiro de lutas, e à igreja que está em tua casaFilemon 1, 2.

“Saudai os irmãos de Laodicéia, e Ninfa, e à igreja que ela hospeda em sua casa.” Colosenses 4:15. 

“Saudai Priscila e Áquila, meus cooperadores em Cristo Jesus… saudai igualmente a igreja que se reúne na casa deles Romanos 16:3, 5. 

As passagens acima são adequadas para o nosso ensino neste tempo, e dignas de nossa atenção e obediência, pois está escrito que “toda a Escritura é inspirada por Deus é útil para o ensino” (I Tim. 3:16). 

(RC): Bíblia Versão Almeida Revista e Corrigida

 

– O único Deus x trindade – qual revela o amor divino? 

A Bíblia diz que Deus é nosso Pai, e quando cremos em Jesus nos tornamos “filhos de Deus”. Todavia, a crença na trindade leva o fiel a crer que é filho de três pessoas iguais, trigêmeos, não de um Pai celestial. “Deus é amor”, e para termos amor, importa conhecê-Lo. Mas segundo a Bíblia, “há um só Deus, o Pai” (I Cor. 8:6). Se busco conhecer trigêmeos como meu pai, não os encontrarei na Escritura. Não posso conhecer um Deus que não é revelado na Bíblia. O falhar em conhecer a Deus significa falhar em conhecer o amor, e ter o amor. A crença em um “Deus” não revelado na Bíblia leva a isso. 

Está escrito que “Deus amou o mundo de TAL maneira, que deu Seu Filho unigênito” (João 3:16). O que leva o apóstolo a escrever que Deus amou o mundo de TAL maneira é o fato de que Ele deu Seu Filho unigênito – o único Filho gerado que possuía. De fato, conseguimos entender que é um grande sacrifício para um pai sacrificar o único filho que possui. A experiência de Abraão e Isaque foi uma lição objetiva do amor de Deus demonstrado para com o mundo. Ao levar Isaque ao altar, Abraão experimentou em parte a perda do filho que ele mesmo sacrificaria, e pode compreender melhor o amor de Deus. Aquilo que Abraão foi impedido de fazer, baixar o cutelo e imolar o filho, Deus o faria para nos salvar.

Se Deus for considerado uma “unidade de três pessoas co-eternas” (trindade) a beleza da mensagem de João 3:16 se perde, e o sacrifício de Deus em nosso favor passa a ser uma mera demonstração de amor, não abnegado, mas egoísta. Explicamos: “se Deus são três pessoas iguais e co-eternas, o Filho de Deus não era de fato Seu Filho; somente assumiu o papel de Filho para vir ao mundo e dar Sua vida por nós. Sendo assim, o Pai ficou no papel de Pai, sentado no trono, vendo o que fez o papel de Filho passar por provas na terra e ser sacrificado por mãos de iníquos. Então, fosse assim, veríamos que o Pai poderia ter assumido o papel de Filho, se o quisesse, mas, por alguma razão não revelada não o fez. Preferiu ficar sentado no trono, na posição mais confortável, vendo outro se sacrificando por nós. Sendo assim, a declaração: “Deus amou o mundo de TAL maneira que deu Seu Filho unigênito” deixa de ser uma revelação do verdadeiro amor de Deus, para ser apenas uma demonstração de hipocrisia, pois poderíamos com razão perguntar: se nos amou mesmo, porque não veio Ele próprio morrer por nós em lugar de enviar Seu igual que assumiu o papel de Filho, e limitou-se a vê-lo morrer? Qual é a posição mais fácil – dar a vida ou sentar-se e ver o sacrifício do irmão? Obviamente, o segundo. Segundo a ótica trinitariana, o amor de Deus não pode ser visto no sacrifício do Filho. E se nós não vemos o amor de Deus, não poderemos ter amor, pois é pela contemplação que somos transformados. 

Vemos, portanto, que a mensagem do único Deus, o Pai, não é trazida apenas para conferir um sentimento de exclusivismo aos que nela crêem. Infelizmente, todos herdaram tendências para o pecado, e como diz Paulo, hoje “vemos como por espelho, obscuramente … conheço em parte” a Deus (I Cor. 13:12). Se O conhecemos em parte, ainda não somos como Ele, mas se prosseguimos no conhecimento dEle, finalmente conheceremos como somos conhecidos, e seremos como Ele, pois está escrito: “CONHEÇAMOS e prossigamos em CONHECER ao Senhor; como a alva, a Sua vinda é certa e Ele descerá sobre nós como a chuva, como chuva serôdia que rega a terra” (Oséias 6:3). Se prosseguirmos neste estudo, agora não apenas para conhecer quantas pessoas são Deus ou quem é Deus (isso já sabemos), mas sim para conhecer o caráter de Deus e o Seu amor revelado e concretizado em Cristo em nosso favor, seremos em breve agraciados com o derramamento do espírito, como chuva serôdia. 

É verdade que muitas pessoas serão herdeiras da salvação sem conhecer determinadas verdades da palavra de Deus. Todavia, isso não demonstra que é melhor não buscar um maior conhecimento da Escritura. O ladrão na cruz estará com Jesus no paraíso, mas por não se aprofundar no conhecimento de Jesus e de Deus por meio da Palavra, não pôde ainda em vida dizer como João, o discípulo amado: “aquele que não ama, não conhece a Deus, pois Deus é amor”, e ainda: “nós conhecemos e cremos no amor que Deus tem por nós”. A verdadeira experiência cristã introduz o crente em uma vereda sem fim, na qual ocorre o aprofundamento do conhecimento do amor de Deus por meio do estudo da Palavra e da experiência cristã prática. Paulo disse, em Efésios 3:14-19, que se punha de joelhos diante do Pai, pedindo para que os crentes pudessem conhecer as dimensões – largura, altura e profundidade – do amor de Cristo, para que ENTÃO pudessem ser cheios de toda a plenitude de Deus – e Deus é amor. O conhecer a correta relação de Pai e Filho existente entre Deus e Jesus é fundamental para que qualquer ser humano possa ser cheio da medida de amor que Deus deseja lhe conceder. 

e a vida eterna é esta: que Te CONHEÇAM, a Ti só, POR ÚNICO DEUS VERDADEIRO, e a Jesus Cristo, a quem enviaste” João 17:3. (RC) 

Que todos prossigam no conhecimento do amor de Deus, que se manifestou a nós pelo sacrifício de Seu único Filho gerado, Jesus Cristo, é nosso sincero desejo e oração. Amém. 

(RC): Bíblia Versão Revista e Corrigida)

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